
Trump declara que programa nuclear iraniano será inspecionado; Irã contradiz

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (23) que o Irã teria aceitado o retorno dos inspetores internacionais a suas instalações nucleares.
"Apesar de seus protestos e declarações falsas em sentido contrário, juntamente com a incansável campanha de notícias falsas, que faz de tudo para minimizar a vitória dos Estados Unidos, o Irã aceitou submeter-se plena e completamente a inspeções nucleares do mais alto nível por um longo período (infinito!)", escreveu o presidente no Truth Social.
Segundo Trump, a medida "garantirá a 'honestidade nuclear'".
"Se eles não tivessem aceitado, não haveria mais negociações!", afirmou ele, acrescentando que, atualmente, as conversas entre Washington e Teerã para chegar a um acordo sobre o fim das hostilidades "estão indo bem".
O que diz o Irã?

No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou ainda no mesmo dia que a delegação iraniana – que se reuniu com a delegação dos EUA na Suíça – não conversou com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi.
"Não nos reunimos com o diretor-geral da AIEA nem existe qualquer programa para que a agência inspecione as instalações nucleares […]. Em essência, não existe nenhum procedimento a esse respeito", afirmou Baghaei durante uma coletiva de imprensa, negando a existência de qualquer cronograma sobre o tema.
Diante das pressões dos EUA, o Irã reiterou que seu programa nuclear tem fins estritamente civis e defende seu direito soberano ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos.
"Jamais renunciaremos"
Recentemente, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, foi categórico ao alertar que não cederão às exigências e que Washington terá de aceitar: "Não há sombra de dúvida de que jamais renunciaremos ao direito de enriquecer de urânio, e a outra parte será obrigada a aceitar isso", concluiu o mandatário.
