Brasil critica OEA por exclusão de declaração sobre direitos de afrodescendentes

"É chocante a ausência desse tema na agenda desta 56ª Assembleia Geral", afirmou o chanceler brasileiro, Mauro Vieira.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, criticou nesta terça-feira (23) a exclusão da Declaração sobre Direitos das Pessoas e Povos Afrodescendentes da pauta da 56ª Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada na Cidade do Panamá.

"Brasil e Colômbia copatrocinam a Declaração sobre Direitos das Pessoas e Povos Afrodescendentes. É chocante a ausência desse tema na agenda desta 56ª Assembleia Geral", afirmou, durante discurso na sessão plenária.

Vieira ressaltou que as sociedades americanas foram construídas sobre o trabalho escravizado de africanos e destacou que mais de 200 milhões de afrodescendentes vivem no continente.

Segundo ele, essa população segue "sub-representada nos espaços de poder e sobre-representada nas estatísticas de pobreza, violência e encarceramento".

O ministro também lembrou que a OEA aprovou, em 2013, a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Conexas de Intolerância.

"É paradoxal que uma Assembleia que reconheceu em instrumento vinculante o flagelo do racismo se mostre agora reticente em reafirmar os direitos de suas vítimas históricas", disse.

Ao final, Vieira pediu que as discussões continuem para viabilizar a aprovação da declaração "em breve".