'Não pode fazer da noite para o dia': Hub Espanhol alerta para risco da proibição do gás russo

Embora sua principal fonte de gás venha de gasodutos da Argélia, a Rússia contribuiu com 27,8% do gás espanhol em maio deste ano, 58,5% a mais que no mesmo período de 2025, segundo dados da Enagás.

O diretor do porto de Bilbao, Ivan Jimenez, defendeu, em entrevista ao Financial Times publicada no domingo (28), que a União Europeia deve adiar a planejada proibição do gás natural liquefeito (GNL) russo para 2027 e alertou que, se aplicado sem margem, o bloco corre o risco de se tornar muito dependente dos Estados Unidos.

Jimenez defendeu a redução das importações de gás russo, mas observou que "você não pode fazer isso da noite para o dia".

O alerta ocorre em um momento em que as importações europeias de GNL russo aumentaram após a crise no Oriente Médio. A proibição, que afetará os contratos de GNL a partir de 1 de janeiro de 2027, é o resultado de anos de negociações entre autoridades europeias para cortar completamente os combustíveis fósseis russos no âmbito de suas sanções contra Moscou.

A Espanha ilustra a complexidade do debate. Embora sua principal fonte de gás venha de gasodutos da Argélia, a Rússia contribuiu com 27,8% do gás espanhol em maio deste ano, 58,5% a mais que no mesmo período de 2025, segundo dados da Enagás.

"A qualidade do gás russo é boa"

Jiménez comentou que há incerteza quanto à implementação integral da proibição do gás russo.

Ele observou que os importadores provavelmente tentarão adquirir "o máximo possível" antes que a medida entre em vigor, reconhecendo que "a qualidade do gás russo é boa" e que, em termos de preço, geralmente é mais barato do que o gás dos Estados Unidos.

Ele argumentou que Donald Trump insistirá na manutenção da proibição do gás russo devido às perdas que a importação desse gás pelos países europeus causaria às exportações americanas, mas pediu que a UE "seja mais firme" e decida com base no que "é bom" para o bloco neste momento.