Mercosul é 'baluarte da liberdade' em meio a protecionismo e xenofobia, diz Vieira

Chanceler brasileiro defendeu o fortalecimento da integração regional, criticou medidas unilaterais e anunciou aporte de US$ 100 milhões anuais ao Focem.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, destacou, nesta segunda-feira (29), a importância do Mercosul. Durante a 68ª Reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), em Assunção, o chanceler afirmou que o bloco representa um "baluarte de liberdade", tanto para o comércio quanto para a circulação de pessoas, em um mundo "marcado pelo protecionismo, pelo unilateralismo e pela xenofobia".

Em seu discurso, Vieira afirmou que, ao longo de seus 35 anos de existência, o Mercosul "consolidou-se não apenas como espaço de integração econômico-comercial, mas também como mecanismo de coordenação política e social entre as nossas sociedades democráticas".

''Nossa agenda social e cidadã reflete a compreensão ampla que temos de um processo de integração estabelecido entre países decididos a pôr no passado o seu histórico de autoritarismo'', pontuou.

Dificuldades na conciliação

Apesar de reconhecer os avanços do bloco, refletidos no aumento das exportações intrazona desde a criação do Mercosul, Vieira admitiu as dificuldades para coordenar políticas entre países com interesses distintos.

O chanceler também ressaltou a necessidade de fortalecer mecanismos característicos de uma união aduaneira:

"Precisamos examinar claramente e com honestidade os fatos e decidir com franqueza qual destino queremos dar ao Mercosul: se avançaremos como união aduaneira – ainda que imperfeita – ou se nossa prioridade não é mais essa".

Vieira observou que a Tarifa Externa Comum foi aplicada a apenas 36,4% do valor das importações do bloco em 2025 e alertou que a ampliação de exceções à tarifa pode enfraquecer a união aduaneira e comprometer o processo de integração regional.

"Dado o grau de integração que conquistamos, e os êxitos que temos obtido como bloco, a política realista é a ação coletiva – e o irrealismo são as iniciativas paralelas e unilaterais", salientou.

Anúncio de peso

O alto diplomata também anunciou que o Brasil pretende ampliar sua contribuição ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). Segundo o chanceler, o governo brasileiro está preparado para aprovar, ainda este ano, uma nova etapa do mecanismo, com um aporte de US$ 100 milhões anuais.

O ministro ressaltou, no entanto, que o esforço financeiro não deve ficar concentrado apenas no Brasil. Vieira afirmou esperar que a Argentina acompanhe o aumento da contribuição, em razão de seu peso econômico no bloco, e defendeu que os demais Estados-membros também participem do novo ciclo do fundo de acordo com suas responsabilidades e com os benefícios recebidos.

Momento histórico

Na conclusão de seu discurso, Vieira defendeu o fortalecimento da integração regional e afirmou que o Mercosul tem demonstrado, mais do que nunca, seu potencial diante do atual cenário internacional. Para o chanceler, a cooperação entre os países do bloco representa o caminho mais eficaz para enfrentar os desafios econômicos e geopolíticos. "A proposição extravagante, hoje, não é a da integração – é a da fragmentação", ressaltou.

"Estamos diante de uma escolha de grande alcance: dilapidar esse patrimônio em busca de ganhos de curto prazo ou reafirmarmos a nossa unidade no propósito de defender o que é melhor para nossas populações. Muito obrigado", concluiu.