'Rede assassina': Erdogan critica Israel por reconhecer genocídio armênio

Antes do posicionamento do presidente da Turquia, o primeiro-ministro da Armênia havia dito que não havia necessidade de comentar o reconhecimento israelense para evitar a "instrumentalização política" do caso.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou, nesta terça-feira (30), a decisão de Israel de reconhecer oficialmente o genocídio armênio. O político turco acusou o governo israelense de utilizar o tema para desviar a atenção do conflito na Faixa de Gaza, conforme a imprensa local.

Após uma reunião de gabinete em Ancara, Erdogan afirmou que a Turquia não daria ouvidos às "calúnias" dirigidas ao país pela "rede assassina" que "tem em suas mãos o sangue de 75 mil pessoas inocentes em Gaza, em sua maioria crianças e mulheres".

Erdogan também rebateu as críticas lembrando que a Turquia acolheu pessoas que fugiam da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

"Aqueles que difamam a Turquia para encobrir sua barbárie em Gaza sabem disso melhor do que ninguém", afirmou.

Posição da Armênia

As declarações ocorreram um dia após o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, minimizar a decisão israelense, de acordo com a agência estatal Armenpress.

Questionado, Pashinyan disse que não via "necessidade" de comentar o reconhecimento por considerar que o assunto não deve ser alvo de "instrumentalização" política.

"Não vemos necessidade de responder, pois acreditamos que abster-se de entrar na questão da instrumentalização do Genocídio Armênio é do interesse da República da Armênia", declarou.

No último dia 28 de junho, o governo de Israel aprovou por unanimidade uma proposta apresentada pelo ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, para reconhecer oficialmente o genocídio armênio.

Antes da votação, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já havia manifestado apoio à iniciativa.

O reconhecimento é um tema historicamente sensível para Ancara, que rejeita a classificação dos massacres de armênios ocorridos no fim do Império Otomano como genocídio.