'Se Israel cair, logo virão atrás de todo o Ocidente', alerta Milei

O presidente argentino afirmou que defender o Estado de Israel é uma questão “moral” e de “autopreservação” para as democracias ocidentais.

O presidente da Argentina, Javier Milei, convocou os países da América Latina a se alinharem com Israel e alertou que uma eventual queda do Estado israelense teria consequências globais, informou a mídia local. "Se Israel cair, logo virão atrás de todo o Ocidente", afirmou na segunda-feira (29), durante sua participação na Conferência da América Latina da Fundação Aliados de Israel.

Em um discurso de cerca de 20 minutos, Milei sustentou que a defesa de Israel constitui não apenas uma obrigação "moral", mas também uma questão de "autopreservação" para as democracias ocidentais. Além disso, condenou o antissemitismo, que definiu como "o canário da mina da degradação moral do Ocidente".

O presidente relembrou os atentados, cometidos na década de 1990, contra a Embaixada de Israel e a Associação Mutualista Israelita Argentina (AMIA) em Buenos Aires, e afirmou que esses fatos demonstraram que o terrorismo internacional também atingiu a Argentina. Além disso, ele voltou a condenar o ataque perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e equiparou esse grupo ao Irã, ao Hezbollah e a outras organizações que, segundo ele, representam uma continuidade do antissemitismo.

Milei também questionou o chamado "socialismo do século XXI" e afirmou que, durante décadas, grande parte da América Latina "fez causa comum com os inimigos de Israel". Segundo ele, existe "uma aliança implícita entre a esquerda radical e o terrorismo islâmico", baseada em uma suposta e compartilhada rejeição aos valores da civilização ocidental.

Contra o "terrorismo" e a esquerda

Na sua fala, Milei relembrou algumas das medidas adotadas por seu governo desde dezembro de 2023, entre elas a de declarar o Hamas, a Guarda Revolucionária do Irã e a Força Quds como organizações terroristas, a expulsão do encarregado de negócios iraniano e a assinatura do Memorando de Liberdade e Democracia com Israel.

Nesse contexto, o presidente instou os parlamentos latino-americanos a aprovarem leis para combater o financiamento de organizações terroristas e afirmou que "palavras sem ações são apenas palavras", ao exigir um maior compromisso dos governos da região em matéria de segurança.

No final de seu discurso, o mandatário argentino comemorou as recentes mudanças políticas na América Latina e declarou que "a esquerda continua recuando" na região. Nesse sentido, mencionou as eleições no Chile, na Colômbia e no Peru, e expressou seu desejo de que "em outubro eles percam no Brasil".