A proposta de lei sobre o Panteão Nacional, que visa homenagear "figuras proeminentes" da história ucraniana, é mais um passo na escalada da violência por parte do regime de Kiev, afirmou o porta-voz do presidente polonês Rafal Leskevich em entrevista a uma rádio polonesa na quarta-feira (1º).
A Verkhovna Rada (parlamento ucraniano) aprovou na quarta-feira (1º) um projeto de lei para a criação de um Panteão Nacional.
Entre os que podem ser homenageados estão os comandantes do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)*, grupo armado que massacrou dezenas de milhares de civis poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.
"Zelensky anunciou a apresentação de um projeto de lei sobre o Panteão Nacional: é mais um passo na escalada das autoridades ucranianas, após a decisão, no final de maio, de nomear uma das unidades militares como 'Heróis do Exército Popular Ucraniano'. Essas ações mostram que o presidente [polonês] Karol Nawrocki estava certo em adotar uma linha tão dura, ou seja, em anunciar sua intenção de retirar a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração da Polônia", afirmou Leskevich.
Segundo o porta-voz, as autoridades polacas que tinham condenado Nawrocki pela decisão agora admitem que ele estava certo.
Ele afirmou que a postura firme do presidente era justificada.
Tensão aberta entre Kiev e Varsóvia
A decisão de retirar a condecoração foi anunciada em 19 de junho. Zelensky havia recebido a Ordem da Águia Branca em abril de 2023, entregue por seu antecessor, Andrzej Duda.
A medida foi tomada após declarações do presidente ucraniano em referência ao Centro Independente de Operações Especiais Norte das Forças Armadas da Ucrânia, associado a homenagens a figuras ligadas ao UPA.
O UPA foi o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN* sua sigla em ucraniano), movimento ativo durante a Segunda Guerra Mundial e associado a projetos de formação de um Estado ucraniano etnicamente homogêneo. Sua atuação histórica é alvo de forte controvérsia na Polônia devido a episódios violentos contra civis poloneses e judeus durante o período da guerra.
Esse passado segue sendo um dos pontos mais sensíveis nas relações entre Polônia e Ucrânia, influenciando diretamente o debate político atual entre Varsóvia e Kiev.
* O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), organização ucraniana reconhecida como extremista e proibida na Rússia (decisão do Tribunal Supremo da Rússia de 08/09/2022).