A disputa pela transmissão da Copa do Mundo de 2026 colocou a gigante da comunicação Globo em rota de colizão com a potência em ascensão do streaming mundial CazéTV.
Enquanto o canal do YouTube de Casimiro Miguel transmite os 104 jogos do torneio e acumula recordes sucessivos, como as 14 transmissões ao vivo mais assistidas da história da plataforma, a TV Globo adquiriu da FIFA os direitos de apenas 52 partidas. Mas a disputa entre os canais vai além disso.
Nos últimos dias, o conglomerado midiático subiu o tom das críticas ao canal. Nesta sexta-feira (3), o jornal O Globo publicou uma nota criticando os excessos nas narrações de Raony Pacheco, apontando exageros na condução das transmissões e classificando o estilo como um reflexo da linguagem adotada pela CazéTV.
Em outro atrito, após a partida entre México e África do Sul, por exemplo, a Globo ironizou a concorrente ao destacar em sua transmissão a cobertura "sem exageros", gesto interpretado como uma provocação direta ao canal de Casimiro.
O ambiente de disputa ocorre em um momento em que a CazéTV vem consolidando sua posição como uma das principais plataformas esportivas do país, apostando em transmissões gratuitas na internet, linguagem mais informal e forte presença nas redes sociais.
Polêmica das apostas
Contudo, o caminho do projeto de Casimiro também não está isento de problemas. Além da disputa pela audiência, a CazéTV enfrenta questionamentos relacionados à publicidade de casas de apostas (as bets) durante a Copa do Mundo.
Na última semana, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) determinou, em caráter liminar, a suspensão de anúncios de bets nas transmissões do canal.
A suspeita é de que apresentadores e comentaristas tenham induzido o público ao erro ao transmitir a ideia de maiores chances de ganho do que as probabilidades reais permitem.
Dois pesos
O caso ganhou um novo capítulo após a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolar um requerimento pedindo que o CONAR aplique o mesmo rigor a todas as emissoras que exibem publicidade de apostas.
"É notável que a CazéTV ultrapassou limites. Mas queremos saber se Globo, SBT, canais por assinatura e as próprias bets também estão respeitando a legislação vigente, a regulamentação da publicidade de bets e o Código de Defesa do Consumidor", escreveu a parlamentar nas redes sociais.
O pedido busca ampliar a fiscalização para todo o mercado de transmissão esportiva, argumentando que a publicidade de apostas não é exclusiva da CazéTV e que eventuais irregularidades devem ser apuradas de forma isonômica.