A Rússia afirmou nesta sexta-feira (3) que as instalações militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico constituem "alvos lógicos" para o Irã em caso de resposta militar, desde que os ataques estejam relacionados ao exercício do direito de autodefesa previsto na Carta da ONU.
A declaração foi feita pela representante permanente adjunta da Rússia nas Nações Unidas, Anna Evstigneeva, durante reunião do Conselho de Segurança convocada após tensões envolvendo Irã, Estados Unidos, Israel e países do Golfo.
"Partimos do pressuposto de que o Irã, como qualquer outro Estado-membro da ONU, tem o direito à autodefesa, conforme previsto no Artigo 51 da Carta da ONU. Nesse caso, instalações militares inimigas são alvos lógicos e não gozam de imunidade", declarou a representante russa.
Ao mesmo tempo, Moscou criticou qualquer dano causado à população civil durante as hostilidades. "Se alvos civis foram danificados durante os ataques, isso é condenável. Ataques direcionados à infraestrutura civil, seja no Irã ou nos Estados árabes do Golfo, são inaceitáveis", acrescentou.
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Responsabilidade
Durante o pronunciamento, a representante também responsabilizou diretamente os Estados Unidos e Israel pela deterioração da segurança regional.
Segundo ela, "a causa principal da atual escalada de tensões no Oriente Médio reside em um único fator: a agressão americano-israelense contra o Irã", classificando as ações militares como uma violação da soberania iraniana e uma ameaça à estabilidade regional.
A diplomata ainda lamentou que países árabes do Golfo tenham sido envolvidos no conflito. Na avaliação de Moscou, os parceiros regionais de Washington acabaram se tornando "reféns" da troca de ataques entre Estados Unidos e Irã.
"O problema, a nosso ver, decorre do fato de que os idealizadores da aventura militar contra o Irã, se é que pensaram na segurança de seus parceiros na região, essa foi a última coisa em que pensaram", concluiu.