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Datafolha: 40% dos brasileiros atribuem pobreza à preguiça de quem não quer trabalhar

Levantamento mostra diferenças por ocupação, renda, perfil eleitoral e faixa etária; empresários lideram com 56% e jovens apresentam menor índice com 22%, favorecendo a associação com a falta de oportunidades.
Datafolha: 40% dos brasileiros atribuem pobreza à preguiça de quem não quer trabalharGettyimages.ru / NurPhoto / Colaborador

A percepção dos brasileiros sobre as causas da pobreza passou por uma transformação significativa nos últimos anos, de acordo com levantamento do Datafolha publicado na sexta-feira (3).

A proporção de pessoas que atribuem a condição de pobreza à preguiça de indivíduos que não desejam trabalhar saltou de 22% em 2022 para 40% em 2026. É o índice mais elevado desde o início da série histórica, superiores aos níveis de 2014, que marcaram 37%, e chegaram ao menor número em em 2017, com 21%.

Embora a visão que associa a pobreza à ausência de oportunidades igualitárias para ascensão social ainda seja predominante, houve um recuo considerável, caindo de 76% para 58%. Esta mudança representa uma das alterações mais expressivas entre as questões de comportamento que integram a matriz ideológica do instituto.

A pesquisa, realizada presencialmente com 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios nos dias 17 e 18 de junho de 2026, registra margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou menos, com nível de confiança de 95%.

Recortes sociais

O levantamento, mais detalhadamente, revela diferenças marcantes quando analisados recortes específicos da população.

Entre empresários, 56% acreditam que grande parte da pobreza se relaciona à preguiça de quem não quer trabalhar — o maior percentual entre todas as ocupações econômicas. Em contrapartida, entre funcionários públicos, essa percepção cai para 28%, representando a menor taxa.

Quanto à renda familiar mensal, pessoas que recebem até dois salários mínimos espelham as porcentagens gerais da amostra, enquanto aqueles com renda superior a dez salários mínimos apresentam a maior parcela que atribui a pobreza à falta de oportunidades, batendo 63%.

Quanto ao recorte eleitoral, 28% associam pobreza à preguiça e 70% à falta de oportunidades entre eleitores de Lula no primeiro turno. Já entre eleitores de Flávio Bolsonaro, os percentuais são 52% e 44%, respectivamente.

O recorte etário apresente divergências ainda mais radicais, visto que apenas 22% dos jovens de 16 a 24 anos fazem essa associação, enquanto 74% citam falta de oportunidades. Entre pessoas com 60 anos ou mais, os percentuais ficam em empate técnico, com 49% e 48%.