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Como a seleção de Cabo Verde virou sensação entre os brasileiros

A estreia histórica na Copa e a trajetória do carismático goleiro Vozinha, que saiu do anonimato para conquistar milhões de novos fãs em poucas horas, viraram tema em todos os botecos do país.
Como a seleção de Cabo Verde virou sensação entre os brasileirosGettyimages.ru / Ian MacNicol / Contributor

A Copa do Mundo de 2026 foi a primeira da história de Cabo Verde — país insular africano lusófono formado por um arquipélago a oeste do continente.

A seleção cabo-verdiana impressionou os fãs de futebol e estabeleceu um recorde como a menor nação a se classificar para a fase eliminatória de uma Copa do Mundo masculina.

Apesar da derrota para a Argentina na sexta-feira (3), o país segue orgulhoso de seus resultados, e a comunidade internacional — em especial os brasileiros — enxerga esse feito como o triunfo de uma pequena nação em um esporte cada vez mais comercial.

O fenômeno Vozinha 

O verdadeiro fenômeno da seleção cabo-verdiana foi o goleiro Josimar José Évora Dias, de 40 anos, conhecido como Vozinha

Eleito o melhor jogador da partida contra a Espanha pela FIFA, ele chegou à Copa sem contrato assinado com nenhum clube, recebendo um dos salários mais baixos entre os goleiros, além de carregar uma história de luta.

Depois disso, sua popularidade disparou: o número de seguidores nas redes sociais saltou de 50 mil para mais de 4 milhões em poucas horas e, na segunda-feira (7), já ultrapassava 27,5 milhões.

Para essa explosão de popularidade contribuiu o streamer brasileiro Casimiro Miguel, o Cazé — o rosto da CazéTV, detentora dos direitos de transmissão do torneio no Brasil — que incentivou seu público a seguir Vozinha.

O jogador destacou o papel dos brasileiros nesse fenômeno, agradecendo tanto aos novos seguidores quanto a "grandes nomes" — como Ivete Sangalo, Seu Jorge e outros — que lhe enviaram mensagens de parabéns.

Um dos pontos mais comoventes é sua biografia. Nascido em Cabo Verde, passou a infância com os avós (daí o apelido), jogou em clubes como Angola, Portugal, Chipre e Moldávia, e chegou a trabalhar como eletricista para se sustentar. 

Sua mãe sequer estava conseguindo viajar para acompanhá-lo na Copa devido a problemas com o visto — que só foi providenciado depois do já famoso jogo contra a Espanha.

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Orgulho nacional

Para a nação africana, a Copa se tornou uma história de sucesso notável. O primeiro-ministro do país, Francisco Carvalho, propôs a criação do Dia dos Tubarões Azuis, em 3 de julho — nome inspirado no apelido da seleção e data da derrota para a Argentina.

"A nossa equipa representou a alma de um povo que nunca desiste, que acredita e que transforma as dificuldades em força. É por isso que defendo a criação do Dia dos Tubarões Azuis, uma data oficial para celebrar este exemplo de união, orgulho nacional e superação", escreveu Francisco Carvalho.

Nas redes sociais, viralizaram vídeos mostrando torcedores recebendo a seleção no aeroporto.