O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, comparou na terça-feira (7) o embargo energético imposto pelos Estados Unidos à ilha a um bloqueio naval e, portanto, classificou-o como "um ato de guerra".
"O acesso ao fornecimento de combustível para Cuba, tanto comercial quanto humanitário, está sendo impedido por meio de ameaças diretas, ações coercitivas unilaterais e até mesmo pelo assédio ou intimidação de petroleiros pelas forças navais e militares dos EUA", afirmou.
Este bloqueio energético tem consequências devastadoras para a ilha. "As famílias cubanas, especialmente crianças, jovens e mães, sofrem com apagões prolongados e insuportáveis. Muitas vezes, quando não há eletricidade, também não há água potável", afirmou.
Em janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região. Além disso, anunciou a imposição de tarifas aos países que venderem petróleo à ilha, somadas a ameaças de retaliação contra aqueles que desrespeitarem a ordem executiva da Casa Branca.
"Mais cruel e implacável"
O debate na Assembleia Geral da ONU gira em torno do bloqueio econômico, financeiro e comercial imposto pelos EUA contra Cuba, que, segundo Rodríguez, é "uma guerra não convencional multidimensional, que já dura quase sete décadas" e "tornou-se mais sangrenta e implacável nos últimos sete meses", entre outros motivos, por causa desse bloqueio energético.
"Nos últimos meses, os danos humanitários à nossa população se multiplicaram, com a deterioração da qualidade de vida, a redução das fontes de subsistência e a limitação do potencial de desenvolvimento pessoal, familiar e social", enfatiza ele.
Ele destaca que o bloqueio é agravado por "ações sem precedentes e extremamente extraterritoriais, como o uso de sanções secundárias, que seguem o plano macabro de provocar uma crise humanitária em Cuba e a desestabilização total do país".
Com isso, buscam abrir caminho para "uma ordem presidencial para uma intervenção militar imperialista" que "causaria um banho de sangue e inúmeras perdas de vidas cubanas e americanas".
Rodríguez lembrou que o próprio Trump reconheceu que não se pode exercer mais "pressão" e que a única opção restante é "entrar" e "destruir" o país.
Os números
Durante seu discurso, Rodríguez detalhou que os danos causados pelo bloqueio, no período entre 1º de março de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, a preços correntes, chegam a "um valor recorde de US$ 8,083 bilhões, 7% a mais que no ano anterior".
Entretanto, o impacto cumulativo da medida, ao longo de mais de seis décadas, já atingiu US$ 178,7 bilhões a preços correntes.
O ministro esclarece que esses valores não incluem o impacto do embargo energético ou das restrições ao fornecimento de combustível a Cuba, que entraram em vigor no início de 2026.