
Briga na esquerda: Boulos reage a críticas de Tabata Amaral após ser comparado a bolsonaristas

O deputado e ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), reagiu nesta terça-feira (7) após a deputada Tabata Amaral (PSB) compará-lo a integrantes do bolsonarismo, como Nikolas Ferreira, Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles, em uma crítica sobre a produção legislativa dos deputados federais mais votados de 2022.
"É lamentável ver esse posicionamento de alguém do campo progressista, ainda mais no momento em que estamos", escreveu o ministro nas redes sociais.
Boulos também defendeu sua atuação durante o mandato na Câmara dos Deputados e citou a Lei das Cozinhas Solidárias como uma das iniciativas que considera de maior relevância.

"Tenho muito orgulho dos projetos que aprovei, dentre eles a Lei das Cozinhas Solidárias, que ajudou a tirar o Brasil do Mapa da Fome. Teria vergonha se tivesse votado a favor da Reforma da Previdência de Bolsonaro ou se fosse autor de uma lei que criminaliza as críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza", afirmou.
Comparação
A crítica de Tabata foi publicada em um vídeo nas redes sociais no qual ela analisou a quantidade de projetos transformados em lei pelos cinco deputados federais que estiveram entre os mais votados do país em 2022.
A lista apresentada pela deputada reuniu:
- Nikolas Ferreira (PL-MG): eleito com 1.492.047 votos;
- Guilherme Boulos (PSOL-SP): eleito com 1.001.472 votos;
- Carla Zambelli (PL-SP): eleita com 946.244 votos;
- Eduardo Bolsonaro (PL-SP): eleito com 741.701 votos;
- Ricardo Salles (PL-SP): eleito com 640.918 votos.
Ao comparar a quantidade de projetos aprovados, Tabata apontou que Guilherme Boulos, Carla Zambelli (em dois mandatos) e Eduardo Bolsonaro (em três mandatos) possuem cinco projetos convertidos em lei. Já Nikolas Ferreira tem três projetos aprovados, enquanto Ricardo Salles não havia aprovado nenhum dentro do levantamento apresentado pela deputada.
"Você já viu essa lista aqui? Esses são cinco deputados federais mais votados do Brasil quatro anos atrás, em 2022. Todos eles tiveram mais de 600 mil votos, que é uma votação bem expressiva. Aí você pensa, com todo esse apoio que eles receberam, devem ter aprovado muitos projetos de lei super importantes lá na Câmara, né? Será?", disse.
A deputada afirmou ainda que o resultado representava uma entrega abaixo do esperado para parlamentares eleitos com votações expressivas.
"Agora, falando sério, isso aqui não é normal, gente. Não pode ser. São milhões de brasileiros que deram seu voto de confiança e que estão recebendo migalhas em retorno", declarou.
Na sequência, Tabata comparou o próprio desempenho e afirmou que, seguindo os mesmos critérios usados no levantamento, havia aprovado 32 projetos que se tornaram leis.
Projeto sobre Israel
A menção a Israel feita por Boulos faz referência a um projeto de lei apresentado por Tabata em 26 de março de 2026. A proposta busca ampliar a definição de antissemitismo no Brasil e incorporar à legislação brasileira a definição adotada pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
O texto tem adesão de 45 parlamentares e estabelece que manifestações antissemitas podem ter como alvo o Estado de Israel quando associado à coletividade judaica. A proposta ressalva que críticas a Israel, desde que sejam semelhantes às feitas a outros países, não devem ser classificadas como antissemitismo.
Um projeto semelhante havia sido proposto em fevereiro de 2025 pelo General Pazuello (PL), mas teve a tramitação encerrada. O Brasil ingressou na IHRA em 2021, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, e se retirou da entidade em julho de 2025, por determinação do presidente Lula.


