O Ministério das Relações Exteriores do Irã alertou os países do Golfo Pérsico para que não participem em ataques ao território iraniano na quarta-feira (8), após a mais recente escalada das hostilidades com os Estados Unidos.
"Os repetidos ataques ilegais contra o Irã, juntamente com a decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de revogar a autorização para a venda de petróleo iraniano — autorização à qual o governo dos EUA se comprometeu nos termos do Artigo 10 do Memorando de Entendimento —, a violação dos acordos iranianos no Estreito de Ormuz e a continuidade da agressão militar e dos ataques do regime israelense contra o Líbano, invalidaram aspectos importantes e fundamentais do Memorando de Entendimento para o fim da guerra. A responsabilidade pelas perigosas consequências dessa escalada de tensões recai sobre o regime americano, que não cumpre o acordo", dizia o comunicado.
"O Ministério das Relações Exteriores reitera firmemente a obrigação jurídica internacional de todos os governos, especialmente os dos países vizinhos localizados na costa sul do Golfo Pérsico, de impedir que as partes agressoras usem seu território e instalações para realizar atos de agressão contra a República Islâmica do Irã, e enfatiza que qualquer colaboração na prática de um ato de agressão contra o Irã equivale a cumplicidade e participação no crime."
Nesse contexto, também enfatizou que "as forças iranianas não hesitarão em defender a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança do país contra a agressão militar dos EUA, em conformidade com o Artigo 51 da Carta da ONU, e também atacarão os perpetradores da agressão".
Nova escalada
As Forças Armadas dos EUA realizaram uma série de ataques aéreos contra o Irã nesta terça-feira (7) para "impor altos custos por atacar navios mercantes tripulados por civis inocentes em uma via navegável internacional", conforme afirmou o Comando Central dos EUA (Centcom) em suas redes sociais.
A mídia iraniana noticiou explosões nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, bem como nas ilhas de Qeshm e Kharg, onde se encontram importantes infraestruturas petrolíferas iranianas e de onde provêm 90% das exportações totais de petróleo bruto do país.
Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabad, afirmou que "ao mesmo tempo em que emite um sério alerta sobre as consequências do descumprimento do acordo por parte dos Estados Unidos, o Irã tomará medidas decisivas para salvaguardar seus interesses e segurança nacionais", afirmou.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou na quarta-feira (8) ter realizado uma operação conjunta com mísseis e drones contra 85 alvos militares dos EUA no Oriente Médio. Segundo a IRGC, os ataques atingiram instalações usadas pelas forças americanas no Bahrein e no Kuwait, e um drone MQ-9 foi abatido.