
OTAN classifica Rússia como 'ameaça a longo prazo' e promete bilhões para Ucrânia

A cúpula da OTAN ocorrida em Ancara nos dias 7 e 8 de julho evidenciou uma série de divergências dentro da Aliança e demonstrou a influência de Donald Trump no futuro desenvolvimento do bloco.
Após a cúpula na capital turca, foi assinada uma declaração de seis pontos, com foco no aumento dos gastos militares e da ajuda à Ucrânia.
Ameaça a longo prazo
No documento, os países da OTAN afirmam que a Rússia representa "uma ameaça a longo prazo" à "segurança euro-atlântica". De fato, a Rússia é o único país explicitamente mencionado como uma ameaça, enquanto a única outra ameaça específica citada na declaração é o terrorismo.
Aumento de gastos

No contexto dessas ameaças, os aliados se comprometeram a expandir a capacidade de produção coletiva e a colaborar com a indústria para acelerar a inovação. "Hoje, em Ancara, anunciamos mais de US$ 50 bilhões em novas aquisições", diz o comunicado. Os aliados continuarão trabalhando para eliminar as barreiras comerciais de defesa entre si e aumentarão a cooperação na área.
Foco na Europa
"Uma Europa mais forte em uma OTAN mais forte, uma Aliança modernizada", enfatiza o documento final da cúpula, referindo-se à necessidade de os países europeus assumirem maior responsabilidade pela defesa da Aliança.
"A dissuasão e a defesa da OTAN baseiam-se em uma combinação adequada de capacidades nucleares, convencionais e de defesa antimíssil, complementadas por recursos espaciais e cibernéticos. Estamos comprometidos em manter nossa vantagem em combate", enfatizaram os aliados, indicando que desenvolverão novas tecnologias militares, incluindo modelos de inteligência artificial.
Ajuda à Ucrânia
Além disso, os membros da Aliança se comprometeram a fortalecer seu apoio à Ucrânia, mas não discutiram sua possível admissão ao bloco. "A Ucrânia contribui para a segurança transatlântica, e os Aliados mantêm um apoio inabalável à Ucrânia na defesa de sua liberdade, soberania e integridade territorial", declarou a OTAN.
De acordo com a declaração, os membros do bloco prometeram fornecer 70 bilhões de euros (cerca de R$ 411 bilhões) em equipamentos militares, assistência e treinamento para a Ucrânia até 2026 e reafirmaram seu compromisso soberano de manter níveis pelo menos equivalentes em 2027.
Irã
A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã tem sido uma questão sensível para as relações dentro da Aliança, já que Washington tem criticado repetidamente seus aliados por se recusarem a participar da campanha militar. No entanto, na declaração final, os membros do bloco reiteraram que "o Irã jamais deve possuir armas nucleares" e instaram Teerã a "respeitar plenamente a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz", dois pontos que refletem a posição dos EUA.
Tensões internas
A cúpula também foi marcada por divergências internas dentro do bloco. Uma delas diz respeito à Espanha, país contra o qual Trump atacou e ameaçou romper relações comerciais. Ao abordar a questão dos gastos com defesa de cada membro e sua relutância em auxiliar Washington em sua campanha militar contra o Irã, o presidente afirmou que já havia discutido o assunto com diversos países, mas expressou sua recusa em conversar com Madri.
"A Espanha é um caso perdido. Aliás, não queremos mais fazer negócios com a Espanha. Gostaria que as relações fossem completamente cortadas. A Espanha é uma parceira terrível na OTAN. Não participa. Não paga. Não quero ter nada a ver com a Espanha", disse ele. "Cortem todo o comércio com a Espanha, por favor, incluindo visitas. Certo? Não queremos ter nada a ver com eles", afirmou.
Além disso, Trump reiterou na terça-feira (7) seu desejo de anexar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca, membro da OTAN. "A Dinamarca não investe dinheiro para ajudar a Groenlândia; ela é um ativo importante para os EUA", disse ele durante uma coletiva de imprensa à margem da cúpula da Aliança Atlântica. Por essa razão, segundo o presidente, a ilha ártica deveria ser controlada por Washington, e não por Copenhague.
Por sua vez, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, deixou claro na quarta-feira (8) que a Groenlândia "não está à venda". Ela enfatizou que a Dinamarca e a Groenlândia esperam que todos, inclusive os EUA, respeitem o futuro da ilha.
Um confronto "existencial"
Enquanto isso, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, ressaltou que o confronto com Moscou é existencial e sistêmico para a OTAN.
"Eles pretendem se defender principalmente da Rússia, que descrevem novamente como uma ameaça de longo prazo à segurança euro-atlântica. Todos os aliados em Ancara aderiram a essa posição, mesmo aqueles que afirmam não haver sinais de um ataque iminente da Rússia. O confronto com o nosso país é existencial e sistêmico para a aliança", afirmou ela.
"Por sua vez, a agenda construtiva da OTAN continua sendo uma baixa prioridade. A linha geral permanece a mesma: a militarização do continente europeu, o foco no aumento das capacidades defensivas, os preparativos para um conflito armado com a Rússia e, claro, a ajuda à Ucrânia, que os radicais dentro da aliança estão usando para atingir um objetivo passageiro: infligir uma 'derrota estratégica' ao nosso país", enfatizou Zakharova.
Ela especificou que "os aliados do bloco estão dispostos a gastar bilhões de dólares apoiando o regime nazista em Kiev e suas atividades terroristas, enquanto cortam gastos para lidar com os crescentes problemas socioeconômicos, causando danos irreparáveis ao bem-estar da população europeia".



