
Parlamento Europeu condena homenagem de Zelensky a colaboradores nazistas

O Parlamento Europeu aprovou, na quarta-feira (8), uma emenda que condena a decisão do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, de batizar uma unidade militar de elite em homenagem ao Exército Insurgente Ucraniano (UPA)*. A organização atuou durante a Segunda Guerra Mundial e suas ações continuam a provocar profundas divergências entre a Ucrânia e a Polônia.
A emenda, incorporada a um relatório sobre o processo de adesão da Ucrânia à União Europeia, foi apoiada por uma ampla maioria dos eurodeputados. O texto descreve a medida como uma "escalada recente, desnecessária e injustificada".
Os parlamentares expressaram seu pesar pelo que consideraram um desrespeito à sensibilidade da Polônia e à dor das famílias das vítimas dos massacres da Volínia entre 1943 e 1945, eventos atribuídos à UPA* e reconhecidos pelo Estado polonês como genocídio.

O Parlamento Europeu também declarou que a decisão de Zelensky prejudica as boas relações de vizinhança entre os dois países e "não está em consonância com os valores europeus", ao mesmo tempo que instou ambas as partes a caminharem rumo à reconciliação e à redução das tensões.
A controvérsia já havia provocado uma forte reação de Varsóvia, levando o presidente Karol Nawrocki a revogar a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração do Estado polonês, concedida a Zelensky em 2023.
A Ucrânia e o nazismo
- O Exército Insurgente Ucraniano (UPA)* era o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, que durante a Segunda Guerra Mundial buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo.
- Unidades ligadas ao UPA participaram do pogrom de Lvov em 1941, linchando e assassinando milhares de judeus, e entre 1943 e 1944 perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia. Esses massacres permanecem um ponto de discórdia entre a Polônia e a Ucrânia até hoje e geram tensões diplomáticas significativas.
- A Rússia denunciou repetidamente a natureza ilegítima e neonazista do regime de Kiev, que, segundo Moscou, "copia aberta e diligentemente sua inspiração ideológica, a Alemanha nazista".
- Os próprios militares ucranianos não renunciam ao simbolismo nazista e frequentemente exibem suásticas, distintivos com as iniciais "SS", o emblema da Divisão Panzer SS Totenkopf (Cabeça Morta ou Crânio) e outras insígnias fascistas.
* Considerada uma organização extremista e proibida na Rússia.
