
País latino-americano reforça ações contra EUA por assassinatos de 17 imigrantes pelas mãos do ICE

O Ministro das Relações Exteriores do México, Roberto Velasco, anunciou na quinta-feira (9) as novas medidas que o governo tomará para protestar contra as políticas de imigração dos EUA que resultaram na morte de 17 mexicanos sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ou durante operações.
"A presidente nos instruiu a iniciar uma forte ação legal para responder a esta dolorosa tragédia", explicou o Ministro das Relações Exteriores durante a coletiva de imprensa da presidente Claudia Sheinbaum.
Inicialmente, acrescentou, o Ministério das Relações Exteriores solicitará o apoio da Procuradoria-Geral da República para apresentar denúncias junto aos promotores estaduais e ao Departamento de Justiça dos EUA contra os responsáveis pelas mortes de 14 mexicanos em centros de detenção e outros três em operações anti-imigração.

Entre as medidas, o governo iniciará ações civis contra as empresas privadas que administram os centros de detenção onde migrantes mexicanos morreram, incluindo o envio de cartas exigindo o fim das violações de direitos humanos.
"A prioridade do nosso trabalho é sempre a defesa dos direitos humanos dos nossos cidadãos, e é por isso que estamos iniciando uma ação judicial hoje. Este será o ponto central das nossas discussões com o governo dos EUA", afirmou.
Advertências
Velasco lembrou que, até o momento, as ações do governo consistiram em fornecer apoio jurídico e humanitário aos migrantes e suas famílias; emitir 11 notas diplomáticas de protesto aos Estados Unidos; a presidente Sheinbaum apresentou uma queixa ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (CIDH) e solicitou que este órgão revisasse urgentemente cada um dos casos.
Sheinbaum já havia alertado que seu governo implementaria outra estratégia para condenar as ações do ICE, além de notas diplomáticas e queixas perante a CIDH.
"Não podemos permitir que nossos irmãos e irmãs nos Estados Unidos sejam maltratados (...), eles não têm o direito de estar em centros de detenção ou de serem submetidos à violência. Estamos preparando medidas legais", anunciou a presidente.
