Venezuela exige que Charles III libere ouro retido na Inglaterra para apoio humanitário

Após o duplo terremoto, presidente encarregada insistiu que Caracas "possui recursos bloqueados em todo o mundo, com os quais pode financiar este processo de reconstrução e recuperação".

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou o envio de uma carta ao Rei Charles III, do Reino Unido, solicitando a liberação do ouro venezuelano depositado no Banco da Inglaterra. Caracas busca utilizar o valor para enfrentar a emergência causada pelo duplo terremoto que atingiu o país em 24 de junho.

"Decidi enviar uma carta, entre outras, ao Rei da Inglaterra para que ele libere o ouro depositado no Banco da Inglaterra. Esse ouro pertence ao nosso povo e deve ser usado para enfrentar as terríveis e trágicas consequências deste duplo terremoto", declarou a presidente encarregada, em pronunciamento na emissora estatal VTV nesta quinta-feira (9).

Rodríguez insistiu que "a Venezuela possui recursos bloqueados em todo o mundo, com os quais pode financiar este processo de reconstrução e recuperação".

Além de enviar a carta a Charles III, a presidente encarregada reiterou seu apelo pelo fim das sanções e do bloqueio contra o país sul-americano.

Fundos congelados da Venezuela 

"Também solicitamos aos governos do mundo que congelaram fundos que os liberem para que a Venezuela possa avançar com este processo de recuperação o mais rápido possível", afirmou Rodríguez.

Ela também mencionou que conversou por telefone com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, com quem discutiu a liberação de fundos congelados mantidos pela organização.

"Agradeço sua atenção e compreensão em relação à liberação dos fundos da Venezuela congelados e mantidos pelo Fundo Monetário Internacional", disse ela sobre a conversa.

Terremotos na Venezuela

Na tarde de 24 de junho, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela com apenas 39 segundos de intervalo. Segundo especialistas, trata-se de um fenômeno raro conhecido como "duplo sísmico".

Esses terremotos foram classificados como os mais fortes na Venezuela em 126 anos. Eles e seus tremores secundários causaram inúmeras mortes e feridos, além do desabamento de prédios e danos à infraestrutura crítica.

De acordo com o último relatório das autoridades, o número de mortos pelos terremotos subiu para 3.811. O balanço oficial também inclui 16.740 feridos, 6.462 pessoas resgatadas e 17.907 cidadãos que ficaram desabrigados após o desastre.