'Tsunami de falências': líder da AfD faz alerta sobre avanço da crise na Alemanha

A política acusou o governo de alimentar o medo da guerra para justificar o aumento da dívida pública.

A copresidente do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, afirmou nesta quinta-feira (9), durante discurso no Bundestag, que a situação econômica do país é "desastrosa" e alertou para a perda de empregos na indústria.

"Mês após mês, desaparecem 15 mil postos de trabalho no setor industrial. A indústria automobilística está em declínio e a desindustrialização está se transformando em uma fuga em massa. Até a Volkswagen está preocupada: 100 mil empregos estão por um fio", declarou.

Críticas ao governo

Weidel disse que fornecedores e empresas de serviços "caem como peças de dominó" e que "não passa uma semana sem más notícias". Segundo a parlamentar, "as pequenas e médias empresas alemãs estão ficando sem reservas".

"O tsunami de falências expulsa a prosperidade e os bons empregos da Alemanha. A cada 20 minutos, uma empresa alemã quebra", afirmou.

A líder da AfD também declarou que os cidadãos "estão empobrecendo" enquanto os gastos sociais aumentam mais rapidamente que os salários. Além disso, acusou o governo de usar o temor de uma guerra para justificar o crescimento da dívida pública.

"Eles estão elevando os gastos com armamentos a níveis astronômicos, sem que isso represente qualquer melhora para a segurança da Alemanha", disse.

Weidel acrescentou que o governo está "construindo uma economia armamentista dirigida e financiada pelo Estado como substituta da indústria real levada à ruína, uma indústria armamentista cujos produtos são entregues à Ucrânia".

Indústria automotiva

A indústria automotiva alemã enfrenta uma das maiores crises das últimas décadas, pressionada pela concorrência de fabricantes chineses, pelo avanço dos veículos elétricos e pelo abandono da energia russa.

Além da Volkswagen, a BMW informou que destinará até 1 bilhão de euros (aproximadamente R$ 5,88 bilhões) para custos de reestruturação. A Mercedes-Benz suspendeu os bônus de verão dos funcionários, e 5,5 mil trabalhadores aderiram a programas de desligamento voluntário.

Enquanto isso, montadoras chinesas como BYD e Chery ampliam a participação no mercado europeu, impulsionadas pela demanda por veículos elétricos e pelo aumento dos custos dos combustíveis.