Os detalhes do memorando EUA-Irã que foram motivo da discórdia e reascenderam as tensões

Segundo um funcionário americano, ambos os lados estão "em planetas diferentes" no que diz respeito à interpretação do Artigo 5.

O memorando de entendimento entre os EUA e o Irã tinha como objetivo facilitar a reabertura do Estreito de Ormuz e reduzir a pressão econômica global.

No entanto, levou a uma escalada violenta devido ao texto ambíguo em uma de suas cláusulas, segundo reportagem do Wall Street Journal.

A disputa gira em torno do Artigo 5, que afirma que o Irã tomará as medidas necessárias para restabelecer o tráfego marítimo pelo estreito e, posteriormente, trabalhará com Omã para definir como ele será gerenciado no futuro.

Diferença de interpretação 

De acordo com a publicação, Washington interpreta essa cláusula como o mecanismo que permitiria a reabertura do estreito, enquanto Teerã acredita que ela lhe concederia o seu controle exclusivo.

Um oficial americano familiarizado com as negociações afirmou que o artigo tem sido particularmente problemático e que ambos os lados estão "em planetas diferentes" quanto à sua interpretação.

"Essa diferença de interpretação é profunda, está intrínseca ao próprio acordo e não é exatamente surpreendente", observa o analista geopolítico Michael Horowitz.

Segundo o especialista, o governo Trump tentou convencer os iranianos de que cumprir o acordo seria "mais vantajoso em termos de custos", mas essa abordagem ignora "o verdadeiro problema".

Horowitz defende que "o comportamento do Irã não é motivado por razões econômicas, mas por preocupações de segurança", enfatiza.

Nesse sentido, Teerã expressou repetidamente sua "total desconfiança" em relação a Washington devido ao seu constante descumprimento de suas obrigações.

Nova escalada

Na terça-feira (7), as Forças Armadas dos EUA realizaram uma série de bombardeios contra o Irã com o objetivo de "impor" à República Islâmica "altos custos" por supostamente ter atacado navios mercantes que transitavam pelo Estreito de Ormuz.

Entretanto, a mídia iraniana noticiou explosões nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, bem como nas ilhas de Qeshm e Kharg, onde se encontram importantes infraestruturas petrolíferas iranianas e de onde provêm 90% das exportações totais de petróleo bruto do país.

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabad, afirmou que "ao mesmo tempo em que emite um sério alerta sobre as consequências do descumprimento do acordo por parte dos Estados Unidos, o Irã tomará medidas decisivas para salvaguardar seus interesses e segurança nacionais", afirmou.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou na quarta-feira (8) ter realizado uma operação conjunta com mísseis e drones contra 85 alvos militares dos EUA no Oriente Médio. Segundo a IRGC, os ataques atingiram instalações usadas pelas forças americanas no Bahrein e no Kuwait, e um drone MQ-9 foi abatido.