
Ebola se espalha com velocidade e sem ser detectado, afirma a OMS

O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) continua se espalhando de forma silenciosa e, em grande parte, sem ser detectado. O alerta foi feito nesta sexta-feira (10) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo Chikwe Ihekweazu, diretor de emergências da entidade, quatro em cada cinco novos casos confirmados não têm ligação conhecida com pacientes já identificados, indicando uma transmissão comunitária intensa.
Em entrevista à agência Reuters, Ihekweazu afirmou que modelos da OMS apontam que o número real de infecções pode ser de duas a quatro vezes superior ao número oficialmente confirmado desde o início do surto, declarado em maio.

De acordo com o governo congolês, o balanço mais recente, de quinta-feira (9), contabiliza 1.792 casos confirmados, 625 mortes, 295 pacientes recuperados e 764 pessoas em isolamento ou hospitalização. Ao todo, 37 zonas de saúde seguem afetadas em três províncias, enquanto 78,6% dos contatos identificados estão sendo monitorados.
O surto atual
A OMS avalia que a cepa Bundibugyo do vírus pode provocar sintomas mais leves do que outras variantes, o que reduz a percepção de risco entre a população. Contudo, a taxa de letalidade pode superar 30% dos casos, o que representa uma doença altamente mortal.
Mas, pela percepção, muitas famílias acabam cuidando de parentes infectados em casa antes de buscar atendimento, prolongando a circulação do vírus na comunidade. Dados preliminares indicam que cerca de 70% das primeiras 400 mortes ocorreram fora dos centros de tratamento.
Para reforçar a vigilância, as autoridades iniciaram o treinamento de 21 mil agentes comunitários de saúde, que passarão a realizar visitas domiciliares para identificar casos suspeitos e encaminhar pacientes aos serviços de saúde.
Escalada na transmissão
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) também demonstrou preocupação com a evolução da epidemia.
"Os casos de ebola estão aumentando rapidamente no leste da RDC, e a necessidade de ação urgente nunca foi tão grande", afirmou o diretor adjunto do órgão, Wessam Mankoula.
Segundo ele, a ampliação imediata da capacidade de tratamento é essencial para conter o avanço da doença. "Cada novo leito de tratamento significa uma vida protegida, uma família resguardada e um passo mais perto de interromper a propagação do vírus."

