
Trump rejeita negociar e comenta sobre possível invasão terrestre no Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista à Fox News, não descartou, nesta terça-feira (14), a possibilidade de autorizar uma operação terrestre contra o Irã, como parte da nova escalada contra a República Islâmica. Além disso, prometeu manter ataques por tempo indeterminado, inclusive contra infraestruturas civis.
Trump admitiu que agora não está disposto a retomar as negociações com o Irã. "Bem, agora eu não quero negociar. Eu já disse para não negociar. Há três dias tínhamos um acordo", disparou.
O mandatário enfatizou que o Irã faria bem em chegar a um acordo com os EUA, caso contrário "não deixaria ninguém para trás". Ele também ressaltou: "Estamos procedendo com muita cautela em relação à população civil".

Até quando?
O norte-americano também revelou que a ofensiva contra o país persa seguirá até quando ele considerar "suficiente".
"Eles vão continuar até eu dizer que já chega. Quero dizer, eles vão continuar. Eles já chegaram a esse ponto, sabe, a palavra que os militares gostam de usar é degradar. Eles foram degradados a um nível muito baixo", disse, referindo-se às forças iranianas.
"A única maneira de negociar com essas pessoas é pela força, e a única força é a força militar", disse Trump.
No entanto, ele reconheceu que os iranianos "ainda têm forças para lutar". "É como um grande boxeador, você pensa que o venceu, e então, de repente, ele se recupera e te acerta. Eles ainda têm algum espírito de luta, mas não muito", continuou.
A esse respeito, Trump insistiu que a deterioração do armamento iraniano "foi inacreditável" e "em um nível que ninguém imaginava ser possível alcançar tão rapidamente".
Ataques contra infraestruturas
O presidente dos EUA prometeu atacar usinas de energia e pontes caso Teerã não concorde em negociar. O presidente detalhou uma escalada gradual de ataques planejada para esta semana.
Questionado se estava considerando atacar alvos energéticos ou outros locais dentro do Irã, o presidente respondeu: "Deixarei os alvos energéticos por último, mas, em última análise, atacaremos alvos energéticos, sim".
"Vamos atacá-los com muita força esta noite. Vamos atacá-los com muita força amanhã à noite. Vamos atacá-los com muita força na noite seguinte", declarou Trump. Ele indicou que a situação irá piorar significativamente a partir da próxima semana.
O mandatário prosseguiu: "E na semana que vem a situação fica realmente ruim para eles, porque na semana que vem, [serão atacadas] as usinas de energia. Na semana que vem, as pontes", declarou. Trump também indicou que Washington destruirá "todas as usinas de energia" e "todas as pontes, a menos que se sentem à mesa para negociar".
Objetivos concluídos?
Em outro momento da entrevista, ele foi questionado se os objetivos dos EUA, que incluem garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear, podem ser alcançados. "Bem, sinceramente, acho que eles estão acabados agora. Se deixarmos, levarão 20 anos para reconstruir o que restou", acrescentou.
« ENTENDA POR QUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »
- Donald Trump continua suas ameaças contra o Irã. Na segunda-feira (13), ele afirmou que Washington não "tolerará" a mudança de postura de Teerã e que os ataques continuarão.
- O Irã, por sua vez, reconhece que o acordo com os EUA entrou em "uma fase crítica" e insiste que seu arsenal permanece forte, prometendo que não permitirá que Washington interfira na gestão do Estreito de Ormuz. Além disso, enfatiza que, diante dessa nova escalada, Teerã não está atacando, mas sim exercendo seu direito à autodefesa.
- Em meio à troca de acusações, Teerã acusou Washington de violar o memorando de entendimento assinado há quase um mês, ao mesmo tempo em que reafirmou seu direito de "tomar as medidas necessárias para proteger sua segurança e seus interesses nacionais" no Estreito de Ormuz.
- A "impaciência" dos EUA em "quebrar o acordo" foi tamanha que nem sequer deixaram expirar o prazo de um mês para que o Irã cumprisse seus compromissos naquela rota marítima, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país persa, Esmaeil Baghaei.

