O avanço de sistemas nacionais de pagamento em diferentes países representa uma ameaça à supremacia financeira dos Estados Unidos, segundo análise publicada pela revista The Economist no domingo (12).
De acordo com a publicação, a busca por maior autonomia sobre a infraestrutura de pagamentos tendem a enfraquecer o domínio de empresas americanas como Visa e Mastercard, além de reduzir a influência de Washington sobre o sistema financeiro global.
Em busca da redução da dependência
A revista afirma que o debate ganhou força após o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, dizer que o Pix prejudica empresas americanas como Visa e Mastercard.
Em meio à disputa, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo a análise, a Europa também quer reduzir sua dependência da infraestrutura de pagamentos dos EUA.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, defendeu que o bloco tenha maior controle sobre os pagamentos digitais, enquanto avança no desenvolvimento de sistemas próprios e do euro digital, previsto para os próximos anos.
A China, por sua vez, amplia seu sistema de pagamentos para viabilizar transações internacionais diretamente em yuan. Já a Índia acelera a expansão internacional de sua plataforma de pagamentos instantâneos por meio de acordos com outros países.
Para a The Economist, o acesso ao dólar e ao mercado americano como instrumento de política externa tem incentivado governos a desenvolver alternativas nacionais e regionais.
A revista observa que Visa e Mastercard já apontam, em seus relatórios anuais, o fortalecimento de plataformas locais como um risco para seus negócios.