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'Estamos em uma guerra existencial com os EUA', diz principal negociador do Irã à nação

Mohammad Bagher Ghalibaf instou o povo a estar permanentemente preparado para defender sua pátria, porque "os Estados Unidos sempre adotam uma postura arrogante e jamais aceitarão um Irã forte".
'Estamos em uma guerra existencial com os EUA', diz principal negociador do Irã à naçãoGettyimages.ru / Hamed Malekpour / Iranian Parliament Communication Office / Handout

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira (15) que a nação iraniana deve "estar sempre preparada para o combate e defender até a morte sua segurança e seus interesses nacionais". A declaração foi dirigida ao povo iraniano.

"Nestes dias em que o fogo da guerra voltou a se intensificar, surgem perguntas entre a população e os diferentes grupos, e cada um responde de acordo com sua própria perspectiva. Será que buscamos a guerra? Será que a guerra e sua ameaça chegarão ao fim? Podemos alcançar nossos objetivos por meio da negociação? Quando lidamos com os Estados Unidos, que não cumprem seus compromissos, faz sentido sequer negociar? E, por fim, a questão fundamental é: como fazer valer nosso direito e sair vitoriosos desta guerra?", iniciou.

"Se analisarmos essa questão sob a ótica do interesse nacional e da segurança nacional, deixando de lado visões facciosas, poderemos chegar a respostas claras, precisas e contundentes. Em primeiro lugar, devemos saber que estamos em uma guerra essencial e existencial contra os Estados Unidos, cujo objetivo, além de derrubar o sagrado sistema da República Islâmica do Irã como principal pilar da frente da verdade, é desmembrar nosso querido país, o Irã. Essa estratégia do inimigo não mudou", acrescentou.

"Em segundo lugar, como já afirmei repetidas vezes, os Estados Unidos, sempre que podem, buscam atacar o Irã e promover seus próprios interesses, e isso não se limita à guerra, às negociações nem ao atual presidente dos Estados Unidos", denunciou.

Nesse sentido, o político afirmou que a visão do Irã "tanto na guerra quanto nas negociações deve se basear nos interesses nacionais e na segurança nacional, com uma perspectiva realista e de longo prazo".

"Devemos estar sempre preparados"

"Por isso, não temos outro caminho senão confiar em nossas próprias capacidades e nos fortalecer. Em terceiro lugar, a resistência unificada do povo iraniano e de nossas Forças Armadas anulou o plano sinistro do inimigo durante a Guerra dos 40 Dias e o obrigou a solicitar um cessar-fogo e iniciar negociações, mas certamente isso não mudou sua estratégia equivocada. Os Estados Unidos sempre adotam uma postura arrogante e jamais aceitarão um Irã forte", advertiu Ghalibaf.

"Com essas premissas, devemos responder às perguntas levantadas. Nunca admitimos nem admitiremos a guerra, mas devemos estar sempre preparados para o combate e para defender até a morte nossa segurança e nossos interesses nacionais. Ao mesmo tempo, também devemos utilizar os instrumentos da diplomacia e da negociação para concretizar e consolidar os interesses nacionais", concluiu a autoridade.

  • Os Estados Unidos e o Irã trocam ataques militares há vários dias em meio a uma escalada que incluiu bombardeios americanos contra o território iraniano e represálias de Teerã contra bases de Washington na região. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) também anunciou a retomada do bloqueio naval contra portos iranianos.
  • Teerã afirma que responde ao que classifica como violações do memorando de entendimento por parte dos Estados Unidos. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica advertiu que "nem uma única gota de petróleo ou gás" será exportada da região enquanto continuarem as agressões americanas. Já o Exército iraniano afirma ter executado várias fases de operações de represália contra instalações de Washington.