O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou nesta quinta-feira (16) realizar contra Cuba uma operação militar semelhante à conduzida por tropas americanas na Venezuela em janeiro de 2026. Além disso, afirmou que "muitas coisas vão acontecer" na ilha "nos próximos dois meses", sem especificar a que se referia.
A declaração ocorreu em meio ao endurecimento do bloqueio e à imposição de um cerco energético contra a nação caribenha.
"Estou olhando para Cuba. Muitas coisas vão acontecer em Cuba nos próximos dois meses, mas não a vejo como a Venezuela. A Venezuela tem enormes quantidades de petróleo. Poderíamos fazer isso com Cuba. Obviamente, não seria difícil para nós", declarou o presidente em entrevista à Fox News.
Para fundamentar sua declaração, Trump mencionou as vastas riquezas naturais da Venezuela, que, segundo ele, serviram de justificativa para os bombardeios e explicariam por que Washington não estaria inclinado a adotar a mesma estratégia contra Cuba.
"A Venezuela é muito maior que Cuba, mas a Venezuela é ouro. Na verdade, tem ouro. Tem muito ouro, muito petróleo. Possui uma das terras mais valiosas do mundo, provavelmente a mais valiosa em termos de ouro, rubis... Quero dizer, se você percorrê-la, é a coisa mais impressionante que já viu. Eles têm mais petróleo do que quase qualquer outro país, exceto nós", afirmou.
"Batendo os tambores da guerra"
Apesar da falta de detalhes sobre os planos da Casa Branca para Cuba, autoridades cubanas reagiram nesta quinta-feira a uma reportagem da emissora americana CBS. O governo acusou o veículo de "bater os tambores da guerra" ao divulgar supostas alternativas militares consideradas por Washington.
O vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío comentou uma reportagem publicada na véspera, segundo a qual "nas últimas semanas, planejadores militares [do Pentágono] analisaram uma série de opções para possíveis ações contra a ilha", sem que nenhum dos quatro jornalistas responsáveis pela matéria questionasse a evidente ilegalidade de tal iniciativa.
Por sua vez, o chanceler Bruno Rodríguez alertou para o ressurgimento de uma campanha liderada por meios de comunicação americanos com o objetivo de "medir a opinião pública de seus cidadãos diante de uma aventura militar que provocaria um banho de sangue e carece de qualquer justificativa plausível".
Além disso, Rodríguez insistiu que "Cuba não representa uma ameaça, e as agências de inteligência americanas sabem disso". Em vez disso, afirmou, elas permitem que "um grupo de políticos desacreditados e corruptos", estabelecidos em sua maioria no sul do estado da Flórida, lucre com a "fabricação de pretextos mentirosos" contra Havana.
O cerco contra Cuba
Washington mantém um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. Desde que Trump assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025, os Estados Unidos intensificaram as medidas de asfixia total contra a ilha.
Essa política extraterritorial tem sido acompanhada de sérias ameaças. O próprio presidente dos Estados Unidos afirmou que estaria disposto a usar a força, se necessário, para derrubar o governo cubano, que, por sua vez, denuncia essas ações como um "genocídio".
O governo Trump, que mantém um destacamento militar no Caribe com tropas do Comando Sul dos EUA, admitiu reiteradas vezes que o objetivo de sua política contra a ilha é impedir qualquer tipo de receita para Havana e até bloquear o fornecimento de petróleo, essencial para suas necessidades energéticas.
A situação afeta gravemente a economia do país caribenho, que, nos últimos meses, sofreu o impacto de um bloqueio multidimensional reforçado por diversas medidas coercitivas da Casa Branca, colocando em risco serviços fundamentais como o abastecimento de combustível, eletricidade, saúde, educação, transporte, alimentos e turismo.