O ex-integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), que foi preso político durante a ditadura militar (1964-1985), Manoel Cyrillo afirmou que Fidel Castro foi a principal referência política de sua geração e classificou o líder da Revolução Cubana como um exemplo de "honradez, firmeza, lucidez e coragem".
Em entrevista à jornalista Milena Portella, correspondente da RT no Brasil, o ex-militante disse que Castro era "um grande líder revolucionário" e que os jovens da época buscavam seguir seu exemplo.
Ao comentar a relação entre Cuba e os Estados Unidos, Cyrillo afirmou que a ilha representou uma afronta para Washington após a Revolução Cubana. Segundo ele, Cuba deixou de ser um "protetorado americano" e resistiu às tentativas de invasão e ao isolamento imposto pelos EUA. "Era uma afronta que eles nunca engoliram", declarou.
Democracia na América
O ex-militante também criticou o sistema político norte-americano, afirmando que a alternância entre democratas e republicanos não representa uma escolha efetiva. "A famosa democracia americana, que só tem dois partidos", disse.
Em seguida, elogiou o sistema chinês. "Se é para ser assim, eu prefiro a China, que só tem um, que é bem melhor", afirmou, acrescentando que os resultados econômicos do país asiático demonstram o sucesso desse modelo.
Cyrillo também relembrou sua passagem pelas prisões da ditadura, onde permaneceu por quase dez anos. Em uma ocasião, lembrou, os presos políticos organizaram uma "greve do silêncio" para protestar contra a nomeação de um diretor do Presídio Militar Romão Gomes que, segundo relatou, havia participado de sessões de tortura no DOI-CODI.
"A gente ignorava totalmente a presença dele", afirmou. De acordo com o ex-militante, o diretor deixou o cargo três dias depois do início do protesto.
- A Ação Libertadora Nacional (ALN) foi uma organização de esquerda fundada por Carlos Marighella em 1967, que defendia a luta armada contra a ditadura militar instalada no Brasil em 1964. Sua ação mais conhecida ocorreu em setembro de 1969, quando militantes da ALN e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) capturaram o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick. Em troca da libertação do diplomata, exigiram a soltura de 15 presos políticos e a leitura, em cadeia nacional de rádio e televisão, de um manifesto contra o regime militar, rompendo temporariamente a censura imposta pela ditadura.