Opositor ucraniano revela a 'verdadeira' razão da troca do ministro da Defesa

"Não se trata de uma luta pelo poder militar, mas pelo poder civil", afirma Viktor Medvedchuk.

A destituição do popular ministro da Defesa da Ucrânia, Mikhail Fyodorov, reflete o temor de Vladimir Zelensky de perder sua liderança. avaliação foi feita nesta sexta-feira (17) por Viktor Medvedchuk, ex-líder do partido ucraniano Plataforma de Oposição – Pela Vida (proibido pelo regime de Kiev) e fundador do movimento Outra Ucrânia.

Ao contrário da explicação apresentada por Zelensky, que justificou a mudança pelo conflito entre o ex-ministro e o comandante-chefe das Forças Armadas, Aleksandr Syrsky, Medvedchuk afirmou, em um artigo, que "a verdadeira disputa política não ocorre entre Fyodorov e Syrsky, mas entre Fyodorov e Zelensky".

"Não se trata de uma luta pelo poder militar, mas pelo poder civil, pela liderança geral do país", declarou.

Zelensky amplia controle sobre a Defesa

Para sustentar sua avaliação, Medvedchuk destacou a origem do funcionário que assumirá o cargo: Yevgeny Zhmara, que, até sua nomeação para o Ministério da Defesa, chefiava o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU). "Dessa forma, [Zelensky] amplia a influência do SBU, que está sob seu controle, sobre o Ministério da Defesa", argumentou Medvedchuk.

A decisão provocou uma forte crise política no país, onde milhares de pessoas saíram às ruas exigindo a recondução de Fyodorov ao cargo. A medida também foi criticada por parlamentares, integrantes das Forças Armadas e até por políticos ocidentais.

Para muitos, o agora ex-ministro representa uma abordagem moderna e tecnológica da defesa, centrada no uso de drones e na transparência.

Críticas ao apoio ocidental

No entanto, Medvedchuk apontou um interesse oculto do Ocidente em manter Fyodorov em evidência. "Para a coalizão de lacaios europeus que deseja a guerra, [Fyodorov] é conveniente, antes de tudo, porque apresenta ao cidadão comum ocidental a guerra — que causa tanto sofrimento ao povo ucraniano — como se fosse um videogame, no qual militares e civis russos aparecem como alvos silenciosos. Essa apresentação, tão distante da realidade, interessa sobretudo aos instigadores europeus da guerra", escreveu.