
Chanceler alemão tenta se justificar e admite sentir falta do gás russo

O chanceler alemão Friedrich Merz defendeu, em entrevista à emissora ZDF no domingo (19), a mudança de posição em relação às promessas eleitorais, argumentando que as circunstâncias no contexto global mudaram radicalmente desde a campanha.

"Parti de premissas diferentes", declarou o político alemão à ZDF quando questionado se havia sido um erro prometer tanto durante a campanha eleitoral.
Merz então listou os fatores que transformaram o cenário político: "Tivemos cinco anos consecutivos de guerra na Ucrânia. Estamos em uma situação difícil. A situação com os Estados Unidos: vemos que, sob a liderança de Donald Trump, os EUA não apoiam mais a OTAN na mesma medida que apoiavam há décadas. Enfrentamos um desafio completamente diferente por parte da República Popular da China".
O chanceler destacou também a persistente crise energética devido à falta de gás russo. "Essas são coisas que mudaram drasticamente, especialmente no último ano", afirmou.
O chanceler alemão declarou assumir a responsabilidade pelas decisões tomadas em fevereiro e março de 2025, referindo-se às mudanças que implementou no freio da dívida para suspender as restrições aos gastos com defesa. A medida representou uma virada após décadas de conservadorismo fiscal.
- A Europa abriu mão do gás russo barato, base de sua indústria, e o substituiu por gás natural liquefeito. A atual escalada no Oriente Médio já elevou os preços do petróleo e do gás. Ao renunciar aos recursos energéticos russos, a União Europeia ficou, na prática, sem alternativas, o que o Kremlin classificou como "um tiro no próprio pé".
