Governo Trump enfrenta impasse na política de IA enquanto China coleciona êxitos no setor

Nos EUA, política de inteligência artificial enfrenta indefinições. Do outro lado do mundo, Pequim concluiu com sucesso uma conferência mundial sobre o tema e garantiu investimentos bilionários para manter a estabilidade no mercado.

O diretor do Centro para Padrões e Inovação em Inteligência Artificial (CAISI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, Chris Fall, deixou o cargo apenas três meses após assumir o comando do órgão responsável por desenvolver padrões e métodos de avaliação para sistemas avançados de inteligência artificial (IA). A informação foi divulgada pelo site Axios nesta segunda-feira (20).

A saída ocorre em um momento em que o governo de Donald Trump discute os próximos passos da política de inteligência artificial e da definição de padrões para o setor.

Segundo a Axios, Fall será substituído interinamente pelo diretor do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), Arvind Raman, enquanto o Departamento de Comércio busca um novo chefe permanente para o CAISI.

Avanço chinês

Enquanto o governo Trump enfrenta um aparente impasse no âmbito da IA, a China continua acelerando o desenvolvimento de modelos avançados e ampliando sua presença na corrida tecnológica.

Na sexta-feira (17), a chinesa Moonshot apresentou o Kimi K3, descrito pela empresa como o maior modelo de IA de pesos abertos já desenvolvido, com 2,8 trilhões de parâmetros.

Segundo a companhia, o sistema alcança desempenho comparável ao de alguns dos principais modelos americanos e liderou avaliações colaborativas voltadas à programação de interfaces web.

Conferência de Xangai

Em outro movimento que coloca o gigante asiático na vanguarda da IA, o presidente Xi Jinping inaugurou, na sexta-feira (17), durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) 2026, onde confirmou a criação da Organização Mundial de Cooperação em IA (WAICO).

"Devemos garantir que a IA seja um importante motor da prosperidade compartilhada e da segurança comum", disse o líder chinês.

Entre os pontos de destaque ligados à WAICO, a China oferecerá 5 mil oportunidades em programas de treinamento em IA e seminários especializados para profissionais de países em desenvolvimento.

Além disso, Pequim tem nos planos a criação de centros de cooperação internacional para aplicações de IA. Eles serão estabelecidos em colaboração com importantes blocos regionais do Sul Global, incluindo a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a Liga Árabe, a União Africana, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e o BRICS.

Estabilidade financeira

Após o fim da conferência, Pequim segue apostando no mercado de IA. Nesta segunda-feira (20), duas estatais de investimento anunciaram um aporte conjunto de quase US$ 9 bilhões para sustentar o mercado de ações, após uma onda de vendas provocada por preocupações de investidores com elevados gastos globais em inteligência artificial, conforme a imprensa local.

A China Reform Holdings informou que uma de suas subsidiárias obteve mais de 50 bilhões de yuans (US$ 7,38 bilhões) para financiar recompras de ações e ampliar participações em empresas, enquanto a China Chengtong Holdings revelou a aquisição de quase 10 bilhões de yuans (US$ 1,48 bilhão) em ações e outros ativos de renda variável.

As duas estatais afirmaram estar confiantes nas perspectivas do mercado de capitais chinês e disseram que continuarão aumentando seus investimentos, especialmente em empresas estatais e do setor de tecnologia, com o objetivo de preservar a estabilidade financeira.

Os principais índices acionários da China encerraram o dia em alta, em um movimento atribuído à atuação do chamado "time nacional", que corresponde justamente ao grupo de investidores estatais mobilizado para dar sustentação ao mercado.