Investigação aponta que pescadores mexicanos podem ter morrido em bombardeios dos EUA — LA Times

Reportagem afirma que pescadores desapareceram após ataques contra embarcações no Oceano Pacífico.

Pelo menos oito pescadores mexicanos podem ter sido mortos em bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra embarcações no Oceano Pacífico. A informação faz parte de uma investigação publicada nesta segunda-feira (20) pelo Los Angeles Times.

Segundo a reportagem, os pescadores saíram de Punta Pérula, no estado de Jalisco, em fevereiro de 2026 e nunca mais foram vistos. Posteriormente, integrantes do crime organizado afirmaram que eles morreram em um ataque americano contra supostas "narcolanchas".

A versão coincide com um comunicado do Comando Sul dos EUA, que informou a morte de oito "narcoterroristas" durante uma operação no Pacífico.

Desaparecimentos e ataques

O Los Angeles Times afirma que, desde setembro de 2025, os Estados Unidos realizaram 64 bombardeios contra embarcações no Caribe e no Pacífico, deixando pelo menos 252 mortos.

Segundo a investigação, Washington não divulgou as coordenadas dos ataques, as provas que sustentariam as acusações de narcotráfico nem a identidade dos mortos.

Moradores de comunidades costeiras relataram ao jornal que diversos desaparecimentos de pescadores ocorreram nas mesmas datas e regiões dos bombardeios.

Rotas do tráfico

De acordo com oito moradores de La Cruz de Huanacaxtle, sete dos pescadores desaparecidos costumavam transportar gasolina em alto-mar para abastecer embarcações usadas no transporte de cocaína da América do Sul, como forma de complementar a renda obtida com a pesca.

A investigação também cita outros pescadores desaparecidos cujas identidades foram divulgadas pelas famílias, e não pelas autoridades mexicanas.

Questionado pelo jornal, o Comando Sul afirmou que "cada narcoterrorista abatido durante as operações era membro de uma organização terrorista designada e transportava ativamente material ilícito em rotas conhecidas de tráfico em águas internacionais".

Um pescador da região contestou essa versão. "Eles não levavam armas, não levavam drogas, só gasolina. O que fizeram foi ilegal, sim. Mas isso não os torna terroristas", declarou.