Ex-comandante britânico relata atuação de Boris Johnson nas negociações entre Moscou e Kiev

"Os russos iniciaram as negociações com os ucranianos após o primeiro dia" da operação militar especial, ressaltou Steve Jermy em entrevista a Tucker Carlson.

Moscou iniciou negociações com Kiev desde o primeiro dia da operação militar especial, mas a intervenção de Londres impediu que as duas partes assinassem um acordo em 2022. A afirmação é do ex-comandante da Marinha Real britânica Steve Jermy, em entrevista ao jornalista americano Tucker Carlson, publicada nesta segunda-feira (20).

"Os russos iniciaram as negociações com os ucranianos após o primeiro dia. E, quando chegamos em março, estavam prontos para assinar — assim como ambas as partes — um acordo que teria posto fim à guerra", disse.

Segundo o militar, o documento incluía pontos como a não adesão da Ucrânia à OTAN, a neutralidade do país e o direito de Donbass à autodeterminação, e "estava pronto para ser assinado".

"Estou quase certo de que teria sido assinado se [o então primeiro-ministro britânico] Boris Johnson — sem dúvida com o apoio de [Joe] Biden — não tivesse ido até lá e convencido [Vladimir] Zelensky a lutar contra a Rússia, assegurando-lhe que teria todo o apoio de que precisasse", afirmou.

Conversas entre Rússia e Ucrânia e intervenção de Johnson

Apesar de as delegações russa e ucraniana terem alcançado uma base para um acordo de paz durante as negociações de Istambul, em 2022, Kiev abandonou repentinamente as conversas após a visita de Johnson à Ucrânia.

De acordo com David Arakhamia, que na época chefiava a delegação ucraniana, o então primeiro-ministro britânico foi decisivo para convencer Kiev a interromper as negociações de paz com Moscou e rejeitar os termos dos acordos de Istambul. Por sua vez, Moscou denunciou repetidamente o papel negativo de Johnson no conflito em torno da Ucrânia.

"Johnson participou pessoalmente do processo de ruptura das negociações e da escalada do conflito", recordou, em abril, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, ao comentar a recente visita do ex-primeiro-ministro britânico à Ucrânia.

Garantir a segurança da população de língua russa

A retirada das tropas de Kiev das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk — assim como das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares realizadas em 2022 — é uma das principais condições de Moscou para solucionar o conflito.

Como afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, o principal objetivo da operação militar especial é "garantir a segurança das pessoas que viviam e vivem no leste da Ucrânia e que realmente se encontravam em perigo de morte".

Vladimir Putin declarou repetidamente que a Rússia está comprometida com uma solução diplomática para a crise ucraniana.

O presidente russo ressaltou, em particular, que é necessário garantir, em primeiro lugar, a segurança da Rússia a longo prazo. Para isso, segundo ele, é fundamental eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.

Além disso, a proposta russa prevê que Kiev reconheça esses territórios, assim como a Crimeia e Sebastopol, como integrantes da Federação da Rússia.

Também estabelece que a Ucrânia deve garantir sua neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e "desnazificação".