Estudo indica que tempestades solares podem ser mais perigosas para tecnologia do que se imaginava

Pesquisa citada pela NASA questiona a existência de um limite natural para os efeitos das tempestades solares e aponta riscos maiores para satélites, GPS, redes elétricas e comunicações.

Os efeitos das tempestades solares sobre a Terra, especialmente sobre sistemas tecnológicos, podem ser mais intensos do que se estimava, segundo um estudo citado pela NASA que questiona a ideia de que o planeta possui um limite natural para responder a esses fenômenos.

Por décadas, cientistas acreditaram que as correntes elétricas geradas na alta atmosfera atingiam um ponto máximo conforme aumentava a intensidade do vento solar provocado por erupções do Sol.

Essas correntes podem interferir no funcionamento de satélites, sistemas de comunicação, sinais de GPS, redes elétricas e na exposição à radiação de astronautas e pilotos.

Interpretações errôneas?

A pesquisa, publicada na revista Nature, afirma que esse suposto limite pode ter sido resultado de uma interpretação equivocada dos dados.

Segundo os autores, grande parte das medições do vento solar foi feita a cerca de 1 milhão de quilômetros mais próxima do Sol do que a Terra, o que teria distorcido as análises.

Os pesquisadores apontam que um efeito estatístico conhecido como "regressão à média" fez com que o vento solar medido antes de atingir o planeta parecesse menos intenso do que realmente era.

Ao analisar mais de 1 milhão de medições coletadas por satélites da NASA próximos à Terra, como MMS e THEMIS, os cientistas identificaram uma relação direta entre a força do vento solar e a intensidade das correntes geradas na atmosfera, sem sinais de um limite claro.

A pesquisadora Maria Walach, da Universidade de Lancaster (Reino Unido), alertou que, se não houver um limite superior para a resposta ao vento solar, os modelos que tentam prever cenários extremos precisarão ser revisados. Ela também enfatizou a necessidade de monitorar de perto os efeitos do clima espacial.