O copresidente nicaraguense Daniel Ortega alertou que as instituições do país tomarão medidas para impedir que partidos políticos envolvidos recentemente em ações violentas com fins sediciosos, com o apoio político e financeiro dos EUA, ameacem a paz nacional.
"Não pensem que só porque não há guerra, estamos em paz. Eles [a oposição patrocinada pelos EUA] estão constantemente conspirando, se organizando, tentando descobrir como criar partidos para que, em uma eleição — uma eleição que eles supostamente deveriam realizar —, esses partidos vençam. E esse é o fim da história dos partidos instalados pelos ianques, instalados pelos apoiadores de Somoza [apoiadores da ditadura militar que governou a Nicarágua entre 1937 e 1979], voltando ao poder. Nunca, nunca, nunca", declarou o presidente na cerimônia oficial que comemorou o 47º aniversário da Revolução Sandinista, no domingo (19).
Ele especificou que "vamos trabalhar, com a Assembleia Nacional e com os órgãos correspondentes, as leis, porque temos que fazer as leis que colocam um muro, um bloco, aos golpistas, aos vendilhões da pátria", para que, "por mais dinheiro que os ianques lhes dêem", não possam atacar as inegáveis conquistas sociais alcançadas pela Frente Sandinista de Libertação Nacional e pelo Governo que dirige.
Balanço de 2018
Na mesma linha, Ortega pediu para lembrar que, em 2018, setores empresariais locais romperam o pacto que haviam assinado com as autoridades centrais para manter a estabilidade e se aliaram a interesses estrangeiros para mergulhar o país no caos, deixando um rastro de morte e violência, na tentativa de um golpe de Estado que não aconteceu.
"Vamos lembrar como em 2018, quando estávamos em acordos com os empresários, com os apoiadores de Somoza, que eram empresários, tínhamos um ótimo acordo de paz e o acordo estava progredindo e, de repente, a punhalada pelas costas: eles organizaram o golpe, usaram fundos dos EUA para levar jovens e adultos, prepará-los, treiná-los, armá-los e derrubar o governo legítimo da Frente Sandinista ", declarou.
Ortega recordou que os agentes estrangeiros tentaram paralisar o país por meio de bloqueios de estradas e o executivo não teve escolha a não ser mobilizar a polícia, que, junto com voluntários, desobstruiu as rotas. No entanto, ressaltou, isso não impediu que crimes graves fossem cometidos, que incluíram assassinatos de seus concidadãos e destruição de instalações educacionais.
"Aqui corria o sangue de jovens, adultos, mulheres, crianças. Sangue foi derramado e, no final, não havia outro jeito a não ser responder a ele com a contundência da ira do povo", declarou.