A influenciadora Maya Braga, de 20 anos, revelou recentemente nas redes sociais que nasceu com "duas vaginas" e que seria virgem em uma delas. A condição rara despertou a curiosidade de milhares de seguidores, principalmente sobre como ela afeta a vida sexual.
A alteração, conhecida como duplicidade vaginal, costuma estar associada ao útero didelfo, uma malformação congênita do sistema reprodutor feminino.
Apesar da expressão chamar atenção, mulheres com a condição têm apenas uma vulva, de acordo com o portal especializado Drauzio Varella. A duplicação ocorre nas estruturas internas, quando uma membrana, chamada septo vaginal longitudinal, divide o canal vaginal em dois.
Ainda segundo o portal, o útero didelfo representa uma das formas mais raras das chamadas "anomalias müllerianas". "Quando a gente tem uma falha dessa fusão, pode aparecer uma série de malformações, e aí é um espectro muito grande. O útero didelfo representa o extremo do espectro", explica a ginecologista Raquel Magalhães.
Sexo e gravidez
Na maioria dos casos, a condição não provoca sintomas e sequer exige tratamento. No entanto, algumas mulheres podem apresentar irregularidades menstruais, dores pélvicas e desconforto durante as relações sexuais, especialmente quando o septo vaginal interfere na penetração. Nesses casos, a correção cirúrgica da membrana pode ser indicada.
O útero didelfo também não impede, necessariamente, a gravidez. Se uma ou ambas as cavidades uterinas forem funcionais, a mulher pode engravidar naturalmente ou, quando necessário, recorrer à fertilização in vitro. A gestação, porém, exige acompanhamento mais cuidadoso, pois há maior risco de parto prematuro e de insuficiência do colo do útero.