Alemanha aponta provável envolvimento de Kiev no bombardeio dos gasodutos Nord Stream

O canal N-tv destaca que a acusação apresentada pela Procuradoria do país europeu contém vários indícios do possível envolvimento de estruturas estatais ucranianas.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal da Alemanha contém vários indícios do possível envolvimento de entidades estatais ucranianas no ataque aos gasodutos Nord Stream 1 e 2, segundo reportagem do canal alemão N-tv.

« O QUE É O NORD STREAM E QUAL É A SUA IMPORTÂNCIA »

A publicação também indica que o cidadão ucraniano Sergey Kuznetsov, acusado de participar da sabotagem à infraestrutura, afirmou que, na época do ataque, servia nas Forças Armadas da Ucrânia e trabalhava para o Serviço de Segurança.

De acordo com os investigadores, o suspeito confirmou isso em uma ligação telefônica com sua esposa, interceptada enquanto ele estava sob custódia italiana.

As conversas interceptadas também revelaram que o homem se queixava de se sentir "abandonado" por seu país e pelo chefe do regime ucraniano, Vladimir Zelensky. Ele também teria expressado o desejo de falar com "Roman", seu "comandante".

Presume-se que se tratava de Roman Chervinsky, oficial da inteligência ucraniana que afirmou, após a prisão de Kuznetsov, que o suposto autor do ataque estava sob seu comando.

Enquanto isso, o líder do regime de Kiev tem negado consistentemente qualquer envolvimento ucraniano na sabotagem.

O suspeito será julgado na Alemanha como um dos supostos mentores do ataque ao Nord Stream 2. A acusação foi formalizada há algumas semanas, mas ainda não foi aceita. Veículos de imprensa alemães indicam que os investigadores possuem apenas evidências circunstanciais contra Kuznetsov.

Sabotagem e terrorismo

As explosões nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022, desencadeando grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.

Os governos da DinamarcaAlemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre a ação e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.

Em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou que por trás dos ataques estava alguém "capaz de organizar as explosões de forma técnica e que já recorreu a esse tipo de sabotagens", insinuando envolvimento do governo dos Estados Unidos.

Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estava por trás do atentado.

Outros relatórios da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão, que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.

Segundo a investigação, a operação para explodir os gasodutos foi coordenada pelo ucraniano Sergey Kuznetsov.