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Kremlin comenta mudanças na liderança militar ucraniana

"O regime de Kiev está desmoronando por dentro", afirmou Dmitry Peskov.
Kremlin comenta mudanças na liderança militar ucranianaGettyimages.ru / Maxym Marusenko

O porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, comentou nesta quarta-feira (22) as recentes mudanças na liderança militar ucraniana.

"Bem, não nos cabe comentar sobre isso. Não creio que isso leve a quaisquer mudanças na frente de batalha. A dinâmica lá é bem conhecida. Nossas forças armadas continuam realizando ofensivas como parte da operação militar especial ao longo de toda a frente", declarou Peskov aos repórteres.

Segundo Peskov, as mudanças demonstram que "o regime de Kiev está desmoronando por dentro", uma situação que, segundo ele, "é óbvia à primeira vista".

Líder do regime de Kiev,Vladimir Zelensky, anunciou na terça-feira (21) a nomeação de Mikhail Drapaty como o novo comandante-em-chefe das Forças Armadas da Ucrânia. O major-general substituirá Alexander Syrsky, que foi demitido em meio aos protestos no país depois da saída de Mikhail Fyodorov do cargo de ministro da Defesa.

Demissão de Fyodorov

A demissão de Fyodorov desencadeou uma onda de protestos nas principais cidades ucranianas. Milhares de manifestantes saíram às ruas de Kiev, Lvov, Odessa e Dnepr exigindo a reintegração do funcionário. A maior concentração ocorreu na capital, onde cartazes denunciavam o que os participantes consideraram uma decisão arbitrária de Zelensky.

A demissão também gerou descontentamento dentro das Forças Armadas. O coronel Pavel Elizarov, vice-comandante da Força Aérea Ucraniana, apresentou sua renúncia em protesto, classificando a saída de Fyodorov como "um grande mal" para as capacidades de defesa do país.

Veículos de comunicação locais sugerem que, nos círculos de poder do regime ucraniano, Fyodorov era visto como um potencial rival político na preparação para futuras eleições.

De acordo com essas reportagens, a crescente popularidade e o perfil reformista do ministro o tornavam uma ameaça à liderança de Zelensky, que recentemente enfrentou novas acusações de autoritarismo.

Fyodorov e Syrsky estavam em conflito aberto, principalmente devido às visões conservadoras deste último, e Fyodorov tentou removê-lo do cargo por meio de Zelensky. Segundo uma fonte próxima ao regime, o líder ucraniano estaria disposto a destituir Syrsky do posto se encontrasse um comandante capaz de garantir uma transição de poder tranquila.