
Maduro comparece pela terceira vez à Justiça dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, passaram nesta quarta-feira (22) pela terceira audiência judicial, em Nova York, Estados Unidos. Em 3 de janeiro, o casal foi sequestrado em Caracas por forças militares dos EUA.
Durante a audiência, o juiz Alvin Hellerstein estabeleceu que o julgamento de Maduro terá início no dia 1º de junho de 2027, às 11h.
Após a invasão militar do Pentágono que resultou no sequestro, Maduro e a deputada Flores foram transferidos para uma penitenciária federal de segurança máxima em Nova York. Eles permanecem privados de liberdade enquanto a Justiça dos EUA decide seu futuro em um "processo viciado, ilegal, sem jurisdição e infundado, no qual são acusados de suposto narcoterrorismo", destacou a defesa.
A primeira audiência foi realizada dois dias após a agressão militar que deixou mais de 100 mortos, entre civis, militares venezuelanos e 32 soldados cubanos que prestavam serviço na Venezuela como parte da Guarda Presidencial.
No dia 5 de janeiro, o casal foi apresentado ao Tribunal Distrital do Sul de Nova York perante o juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos. Durante a audiência, Maduro e Flores se declararam inocentes, e o presidente chegou a se definir como "prisioneiro de guerra".
"Montagem"

Caracas tem denunciado reiteradamente que as acusações da Promotoria dos EUA são uma montagem de Washington para incriminar o chefe de Estado, acusando-o de supostamente comandar o "Cartel de Los Soles", cuja existência não foi comprovada.
De fato, essa era a principal acusação contra Maduro, mas ela foi descartada no início do processo judicial, pois não foi incluída na denúncia. Segundo o direito penal dos EUA, isso implica o reconhecimento de que tais alegações não eram sustentáveis nem passíveis de comprovação em julgamento.
Durante a segunda audiência, realizada em 26 de março, o juiz rejeitou o pedido do advogado de Maduro e Flores, Barry Pollack, para arquivar o caso, alegando que os recursos destinados ao pagamento de seus honorários haviam sido bloqueados pelos EUA, o que comprometia o direito de seus clientes à ampla defesa.
O jornalista Arturo Ángel, que acompanha oprocesso em Nova York, afirmou que, durante esta terceira audiência, a Promotoria e a defesa proporão ao juiz que o julgamento tenha início em junho de 2027 no Tribunal Federal de Manhattan.
Segundo o jornalista, o acordo significa que, por enquanto, não há qualquer possibilidade de negociação para os acusados nem de que eles se declarem culpados para evitar o julgamento.
