Abandono gradual do dólar é um 'processo natural e irreversível', diz Moscou

Diplomacia russa na ONU afirma que a redução da dependência da moeda americana avança de forma irreversível e aponta o BRICS como um dos principais espaços de fortalecimento de mecanismos financeiros alternativos ao dólar.

A Rússia afirmou nesta quarta-feira (22) que o abandono gradual do dólar como principal moeda do sistema financeiro internacional é um "processo natural e irreversível". O cenário, segundo Moscou, é impulsionado pelo fortalecimento de mecanismos alternativos de cooperação econômica em blocos como o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai (OCS).

A declaração foi feita pelo representante permanente adjunto da Rússia na ONU, Dmitry Chumakov, durante um debate de alto nível do Conselho de Segurança sobre gestão de recursos naturais.

Segundo o diplomata, a predominância do dólar e o controle exercido por países ocidentais sobre os sistemas monetário e financeiro internacionais representam um exemplo de "práticas neocoloniais", inclusive no comércio de recursos naturais.

Para Moscou, a crescente utilização de moedas nacionais em fóruns multilaterais reflete uma transformação estrutural da economia global.

Demanda do Sul Global

Chumakov afirmou que a demanda do Sul Global por uma arquitetura financeira internacional "equitativa" e adaptada às "realidades do mundo multipolar contemporâneo" não pode ser ignorada.

De acordo com ele, garantir a participação equilibrada dos países em desenvolvimento nos mercados globais exige a reforma das regras do comércio internacional, maior acesso à tecnologia e investimentos para ampliar a capacidade de processamento de recursos naturais nos próprios países produtores.

Questão dos recursos

Moscou defendeu ainda que a cooperação internacional na gestão de recursos naturais seja voltada ao fortalecimento da capacidade industrial e científica dos Estados, ao aprimoramento das instituições públicas, à assistência técnica e ao combate à extração ilegal e ao contrabando transfronteiriço de recursos naturais.

Na parte final da intervenção, Chumakov criticou práticas neocoloniais, interferências em assuntos internos de Estados soberanos, sanções unilaterais "ilegais perante o direito internacional" e intervenções militares.

Segundo o diplomata, o abandono dessas práticas é condição para que a comunidade internacional possa avançar em uma cooperação efetiva na gestão dos recursos naturais com foco na paz, no desenvolvimento e na melhoria das condições de vida das populações.