A resistência a antibióticos, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das maiores ameaças à saúde global, pode causar até 10 milhões de mortes por ano até 2050, superando o câncer caso a tendência atual continue. A informação consta em relatório publicado no último dia 16 pela organização.
Nesse cenário, pesquisadores da Universidade Skoltech, na Rússia, anunciaram uma ferramenta que acelera a descoberta de novos antibióticos contra bactérias resistentes.
O estudo apresenta um sistema capaz de identificar rapidamente compostos que interrompem a síntese de RNA em bactérias Gram-negativas, como a Pseudomonas aeruginosa, um dos principais agentes de infecções hospitalares e resistente a diversas classes de antibióticos.
Problema crescente
Segundo a OMS, a resistência antimicrobiana esteve associada a mais de 4,7 milhões de mortes em 2021, enquanto cerca de uma em cada seis infecções bacterianas confirmadas em laboratório em 2023 já era resistente aos antibióticos.
"Uma das principais maneiras de combater a resistência aos antibióticos é encontrar novos ingredientes ativos", afirmou Dmitry Lukyanov, diretor científico do estudo. Segundo ele, conhecer o mecanismo de ação dos compostos permite aprimorá-los mesmo após o surgimento de resistência bacteriana.
O sistema desenvolvido pela Skoltech também identifica como cada substância atua, reduzindo etapas da pesquisa e acelerando a triagem de moléculas promissoras. Para os pesquisadores, a tecnologia pode ampliar as chances de encontrar novos tratamentos contra patógenos resistentes, um dos maiores desafios da medicina contemporânea.