Notícias

Zelensky celebra ganhos dos EUA enquanto ucranianos morrem na linha de frente

As tropas ucranianas enfrentam uma fase marcada pelo esgotamento, pela escassez de recursos e pela crescente pressão sobre os militares, aponta analista militar ucraniano.
Zelensky celebra ganhos dos EUA enquanto ucranianos morrem na linha de frenteGettyimages.ru

O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, afirmou nesta sexta-feira (24) que os Estados Unidos obtiveram uma vantagem estratégica graças ao conflito na Ucrânia

Ele declarou que Washington adquiriu uma experiência militar "exclusiva" sem pagar o custo humano que, segundo reconheceu, recaiu sobre os ucranianos.

Em entrevista à jornalista Laura Loomer, Zelensky afirmou que os EUA aprenderam, em primeira mão, as lições da guerra moderna, especialmente no campo dos drones.

"Os Estados Unidos obtiveram toda a experiência desta guerra. Todos os seus generais já a assimilaram. Nós pagamos com nossas vidas", declarou, acrescentando que o presidente Donald Trump conhece esses detalhes.

Zelensky também defendeu uma cooperação mais estreita com Washington na área de tecnologia militar. Ele revelou que busca concretizar "o maior acordo sobre drones" e que o documento está praticamente pronto, além de manifestar a intenção de assiná-lo o quanto antes ao lado de Trump.

Além disso, afirmou que a Ucrânia já compartilhou com os EUA conhecimentos sobre drones navais, aéreos e de longo alcance. Ele também chegou a indicar que parte desses testes foi realizada de forma confidencial "porque somos parceiros".

Segundo Zelensky, oficiais e generais norte-americanos lhe reconheceram que, sem a experiência adquirida na Ucrânia, os EUA levariam entre 10 e 20 anos para alcançar esse nível de conhecimento sobre a guerra tecnológica moderna.

"Linha de frente pode colapsar a qualquer momento"

Enquanto isso, a situação na linha de frente ucraniana atravessa uma fase marcada pelo esgotamento das tropas, pela escassez de recursos e pela crescente pressão sobre os militares, segundo reconhecem algumas figuras ligadas aos meios político e militar da Ucrânia.

Uma delas é Taras Chmut, analista militar e chefe da organização beneficente pró-militar Come Back Alive ("Volte Vivo", em tradução livre), que alerta que "a linha de frente pode colapsar a qualquer momento".

Ele também afirma que não apenas os militares ucranianos estão "esgotados e desmoralizados", mas também "a sociedade na retaguarda está desmoralizada, desmotivada, desanimada e exausta".

"Tudo isso gera uma série de problemas acumulados que permanecem sem solução ano após ano. E, quando nos aproximamos do ponto crítico de não retorno, começamos a agir com desespero", disse.

Ao mesmo tempo, as forças russas continuam conduzindo a operação militar especial e avançam com êxito ao longo de toda a linha de frente, melhorando sua posição tática e rompendo as defesas inimigas. Entre os avanços mais recentes está a libertação da cidade estratégica de Konstantinovka, no Donbass.

"Os EUA não são um ator neutro"

Por sua vez, o Kremlin afirmou em diversas ocasiões que os EUA dificilmente podem ser considerados um ator neutro no conflito ucraniano, já que Washington é um dos fornecedores de armas do regime de Kiev.

"Os Estados Unidos continuam fornecendo armas e tecnologia militar à Ucrânia. Isso é um fato, nós sabemos", afirmou no início de julho o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, ao comentar a decisão de Trump de conceder a Kiev uma licença para produzir sistemas de defesa antiaérea Patriot.

"Não usamos óculos cor-de-rosa, e o presidente [Vladimir] Putin sabe disso perfeitamente", acrescentou.

O chanceler russo, Sergey Lavrov, ressaltou nesta sexta-feira (24) que grande parte do apoio a Zelensky decorre da ajuda de Washington, "não apenas porque os EUA vendem armas à União Europeia, que depois as envia à Ucrânia, mas também porque fornecem informações de inteligência".

O ministro destacou que esse também é o motivo pelo qual Kiev rejeita de forma "desdenhosa" as propostas dos EUA para encontrar uma solução para o conflito com a Rússia.