
Alemanha evita revelar detalhes sobre explosões do Nord Stream, diz imprensa alemã

A Chancelaria Federal da Alemanha respondeu a uma pergunta da deputada Anna Rathert, do Parlamento alemão AfD, sobre as explosões nos gasodutos Nord Stream com um documento de três páginas explicando por que detalhes sobre o caso não podem ser divulgados, informou a imprensa alemã na sexta-feira (24).
« O QUE É O NORD STREAM E QUAL É A SUA IMPORTÂNCIA »
A parlamentar questionou se era verdade que o então chefe da Chancelaria, Wolfgang Schmidt (SPD), havia sido informado pelos serviços de inteligência sobre uma possível explosão dos gasodutos e, mesmo assim, não teria tomado medidas para impedir o ataque. No entanto, essa pergunta não recebeu uma resposta direta.

Em vez disso, a explicação apresentada inclui informações sobre um plano de uma operação ucraniana no verão de 2022, que teria sido obtido pelos serviços de inteligência e posteriormente encaminhado à Chancelaria.
A resposta, assinada por Thorsten Frei — então chefe da Chancelaria —, afirma que o tema afeta "em grau especialmente elevado" a segurança do Estado e que a divulgação das informações poderia prejudicar a cooperação com serviços estrangeiros, mesmo que os dados fossem apresentados em uma versão confidencial e restrita à Comissão de Controle Parlamentar. Dias depois de assinar a recusa, Frei foi indicado para liderar a bancada da União no Parlamento, substituindo Jens Spahn, que havia renunciado ao cargo.
Rathert apontou uma possível contradição: se a Chancelaria realmente não tivesse recebido qualquer aviso de serviços estrangeiros, bastaria declarar isso publicamente — como Berlim fez em casos semelhantes, incluindo a operação contra Osama bin Laden em 2011 e a morte do general iraniano Qassem Soleimani em 2020. Para a deputada, o recurso ao sigilo de Estado indica que pode ter havido troca de informações sobre o ataque.
A pergunta teve como base uma reportagem da revista Cicero, publicada em abril de 2026, segundo a qual o serviço de inteligência militar dos Países Baixos teria alertado a CIA, ainda no verão de 2022, sobre um suposto plano ucraniano para atacar os gasodutos. O alerta teria chegado, por meio do BND (serviço de inteligência alemão), ao então chefe da Chancelaria, Wolfgang Schmidt, que teria considerado a informação um boato sem fundamento.
O governo alemão se recusou até mesmo a depositar a resposta na Geheimschutzstelle do Bundestag, órgão responsável por permitir que parlamentares tenham acesso a informações sensíveis sob sigilo. Rathert agora exige uma investigação completa do caso, mas, diante da resposta recebida, o avanço da apuração ainda parece incerto.
Sabotagem e terrorismo
As explosões nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022, desencadeando grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.
Os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre a ação e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.
Em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou que por trás dos ataques estava alguém "capaz de organizar as explosões de forma técnica e que já recorreu a esse tipo de sabotagens", insinuando envolvimento do governo dos Estados Unidos.
Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estava por trás do atentado.
Outros relatórios da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão, que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.
Segundo a investigação, a operação para explodir os gasodutos foi coordenada pelo ucraniano Sergey Kuznetsov.

