O ministro da Defesa da Polônia, Vladislav Kosiniak-Kamysz, alertou em uma entrevista publicada no domingo (26) que seu país poderia vender à Bulgária os caças MiG-29 originalmente prometidos à Ucrânia, caso Kiev não compartilhe a tecnologia de veículos aéreos não tripulados.
"Agora tudo depende do lado ucraniano. Nossa oferta continua válida, e temos os MiGs que interessam à Ucrânia, os quais estão sendo gradualmente retirados de serviço na Força Aérea Polonesa", afirmou o ministro.
Kosiniak-Kamysz destacou que a Ucrânia exporta drones para o Oriente Médio, o que indica que sua capacidade de produção supera as necessidades da frente de batalha, e argumentou que chegou a hora de estabelecer condições.
"Precisamos do conhecimento e das habilidades deles na área em que se destacam. Eles precisam cooperar. Devem nos fornecer drones que possamos usar. Isso tem um aspecto simbólico, não apenas prático", afirmou.
Segundo o Ministro da Defesa polonês, o tempo está se esgotando para a Ucrânia tomar uma decisão. "Essas aeronaves estão em boas condições. Tão boas, aliás, que a Bulgária quer comprá-las. Se alguém estiver disposto a pagar por elas, são realmente excelentes", afirmou Kosiniak-Kamysz, indicando que a prioridade é chegar a um acordo com a Ucrânia, mas que, caso isso não aconteça, a Polônia explorará outras opções.
"A decisão final precisa ser tomada nas próximas semanas", concluiu o ministro, expressando também sua decepção com a falta de reciprocidade da Ucrânia, mesmo que apenas simbólica.
A controvérsia sobre aeronaves e drones surge em meio a uma deterioração das relações entre Varsóvia e Kiev. Na Polônia, que nos últimos anos tem sido uma das aliadas mais comprometidas da Ucrânia, as divergências em torno da memória histórica começaram a tensionar os laços bilaterais.
Um dos principais pontos de discórdia é a figura de Stepan Bandera, um colaborador nazista glorificado como herói nacional na Ucrânia e líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, que realizou massacres de poloneses na Volínia e na Galícia Oriental.
* Considerado extremista e proibido na Rússia.