
UE arrasta ex-república soviética para abismo, afirma inteligência russa

O Serviço de Inteligência Estrangeira (SVR) da Rússia afirmou nesta terça-feira (28) que Bruxelas está ciente da inevitabilidade de uma profunda crise econômica na Armênia caso o país deixe a União Econômica Eurasiática (UEE).
"A perda de renda derivada da participação na integração eurasiática impedirá as autoridades armênias de manter a estabilidade econômica em sua transição para a União Europeia", observaram as autoridades.

O SVR indicou que as instituições europeias reconhecem que os crescentes problemas econômicos no bloco, decorrentes da política de sanções contra a Rússia e da determinação dos burocratas europeus em apoiar a guerra na Ucrânia, não permitirão que Bruxelas compense a Armênia pelas perdas multimilionárias resultantes da saída da UEE.
"Diversos países europeus já alertaram a liderança da UE sobre sua relutância em abrir seus mercados para produtos armênios, em detrimento dos produtores nacionais", declarou.
No entanto, "os burocratas de Bruxelas continuarão tentando convencer Yerevan do seu apoio incondicional", enquanto "planejam justificar a falta de assistência concreta argumentando que a adesão à UE dependerá inteiramente de Yerevan e das suas 'conquistas' no caminho para a eurointegração".
O serviço russo afirma que o governo do premiê armênio Nikol Pashinyan já sofre com as exigências para reduzir a presença de empresas russas em setores estratégicos, romper laços humanitários com a Rússia e reprimir opositores internos que resistem a essas mudanças.
"Essa linha de pensamento será incentivada por manipulações sobre as perspectivas de liberalização do regime de vistos para cidadãos armênios e promessas de transformar a Armênia em uma 'próspera encruzilhada do mundo' em um 'maravilhoso futuro distante'", acrescenta o texto.
O SVR alertou que Bruxelas não deve contar com os países da UEE para manter a equipe política de Yerevan à tona durante sua "jornada árdua rumo à UE".
Em março de 2025, a Assembleia Nacional da Armênia aprovou um projeto de lei para iniciar o processo de adesão à União Europeia. No entanto, a UE ainda não estendeu oficialmente um convite à ex-república soviética.
Após a primeira cúpula bilateral, realizada em Yerevan no início de maio, a Armênia e a UE assinaram diversos documentos para fortalecer sua cooperação.
Posição russa
O presidente russo Vladimir Putin instou a Armênia a definir sua orientação política e econômica "o mais rápido possível".
O presidente explicou que, dado que o país do Cáucaso continua sendo membro da UEE, que inclui Rússia, Bielorrússia, Quirguistão, Cazaquistão e Armênia, e busca fortalecer a integração econômica e desenvolver o livre comércio, as recentes medidas tomadas por Yerevan em direção à integração com a UE representam incompatibilidades com os fundamentos desse grupo.
Putin enfatizou que Moscou considera "direito de todo país soberano, como a Armênia", escolher seus parceiros.
Em maio, o presidente russo tambémpropôs um referendo à república caucasiana sobre a adesão à UE para facilitar uma "separação suave" da Rússia.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia denunciou que, sem oferecer à Armênia quaisquer promessas concretas de perspectivas de cooperação, a UE está enganando o país e tentando destruir seus laços com seus vizinhos imediatos, incluindo a Rússia.


