Lavando as mãos no fogo, Bruxelas diz 'não' à Espanha e mantém bloqueio de helicópteros russos no combate a incêndios

A liderança da UE afirma que o governo espanhol teve tempo suficiente para procurar alternativas aos helicópteros russos Ka-32 de combate a incêndios.

A Espanha tentou convencer Bruxelas a flexibilizar restrições anti-russas para permitir a manutenção dos helicópteros russos Ka-32, usados ​​no combate a incêndios florestais, mas não obteve sucesso, informou o jornal Berliner Zeitung na terça-feira (28).

As sanções implementadas em fevereiro de 2024 impedem a aquisição de peças sobressalentes e a realização dos serviços necessários para manter os helicópteros operacionais.

A Espanha solicitou uma exceção para continuar utilizando os helicópteros, que podem coletar e transportar rapidamente água para combate a incêndios em áreas remotas, mas Bruxelas rejeitou o pedido.

A prevenção de desastres é uma "responsabilidade nacional", enfatizou um porta-voz europeu em Bruxelas, na segunda-feira (27). Enquanto isso, equipes de resgate na Espanha e na França reclamam que a UE está dificultando esse processo, bem como as operações de resgate em andamento, com exigências ambientais e sanções contra a Rússia.

Nos outros é refresco

Bruxelas argumenta que o governo espanhol teve tempo suficiente para explorar alternativas dentro da União Europeia, como as aeronaves fabricadas pela Airbus. Contudo, segundo a imprensa espanhola, o principal obstáculo foi a falta de financiamento para a aquisição de novos helicópteros.

Como resultado, os helicópteros Ka-32 em operação na Espanha foram retirados de serviço justamente quando eram mais necessários para combater a temporada de incêndios florestais.

A gravidade da situação levou a Espanha a decretar estado de emergência nacional pela primeira vez na história do país por motivo de incêndios florestais. O governo central assumiu a coordenação direta das operações, com a Unidade Militar de Resposta a Desastres comandando os esforços.

Mais de 25 mil pessoas receberam ordens de evacuação nas proximidades de Madrid, enquanto outras 40 mil foram orientadas a permanecer em suas residências.

Trabalhando contra

O problema não se limita à Espanha. O helicóptero Ka-32 também foi utilizado em Portugal, Grécia, Bulgária e Chipre para combater incêndios.

Portugal optou por transferir suas seis unidades para a Ucrânia como parte da ajuda ao regime de Kiev. Essa decisão deixou Portugal sem capacidade de resposta com essas aeronaves, em uma situação semelhante à da Espanha e de outros países do sul da Europa.

Equipes de resgate e autoridades locais criticam duramente a União Europeia por dificultar as operações com exigências ambientais e sanções políticas. Para eles, o bloco presta pouca atenção às consequências mais imediatas das mudanças climáticas, como tais incêndios florestais, cada vez mais devastadores.

Questionam também se os efeitos colaterais negativos das sanções contra a Rússia estão sendo adequadamente avaliados, uma vez que essas sanções impactam diretamente a capacidade de resposta a desastres naturais em vários Estados-membros do sul da Europa, deixando seus cofres vazios e suas frotas esgotadas justamente quando mais precisam delas.

Um modelo insubstituível

Em produção desde 1985, o Ka-32 consolidou sua reputação como uma das plataformas mais confiáveis de sua categoria, representando uma tecnologia amplamente reconhecida no combate a incêndios.

Capazes de transportar entre 4 e 5 mil litros de água e lançar com precisão excepcional, essas aeronaves se destacam pela eficácia em ambientes urbanos graças ao design de rotor coaxial, que proporciona capacidade única de manobra para combater chamas em edifícios altos.

A versão mais recente, o Ka-32A11M, incorpora um sistema exclusivo de combate a incêndios horizontal, lateral e vertical, comprovadamente eficaz em situações complexas. A aeronave pode operar em condições meteorológicas adversas, inclusive a temperaturas de até -20ºC, e está preparada para operações marítimas.

Sua versatilidade é impressionante: dependendo da missão, pode ser equipado com suspensão externa de carga, dispositivo de descarga de água, guincho de resgate, garra hidráulica ou sistema de supressão de incêndio para arranha-céus.

O guincho permite o descida de equipes de emergência e a evacuação de vítimas de áreas inacessíveis onde o pouso é impossível, enquanto a garra hidráulica é crucial para a remoção de destroços em acidentes com múltiplas vítimas, liberando rodovias bloqueadas por veículos acidentados em questão de minutos.