Países europeus avaliam a possibilidade de boicotar a Copa do Mundo caso o presidente da FIFA, Gianni Infantino, avance com o plano de abrir parte da gestão comercial dos torneios ao capital privado, informou a Sky News nesta terça-feira (28).
Segundo uma fonte ouvida pelo canal britânico, os membros da UEFA devem realizar uma reunião de emergência nesta semana para definir uma resposta conjunta e apresentar uma posição mais firme sobre a proposta.
Investir na Copa do Mundo? Entenda a proposta
O plano da FIFA prevê a criação de uma nova empresa, chamada FIFA Forward Enterprise (FFE), que ficaria responsável pela administração dos direitos comerciais das competições organizadas pela entidade, incluindo transmissões, patrocínios, venda de ingressos e licenciamento de produtos.
A proposta prevê a entrada de investidores externos com participações minoritárias, sem poder de controle. De acordo com o Financial Times, a participação privada poderia chegar a cerca de 20%.
A FIFA afirma, no entanto, que manteria o controle da nova empresa por meio de maioria no conselho de administração e continuaria com autoridade exclusiva sobre decisões relacionadas à governança do futebol, competições, calendário e regras do esporte.
Rejeição da UE
O eurodeputado búlgaro Nikola Minchev classificou o projeto como "absurdo", enquanto a ex-jogadora de futebol e eurodeputada italiana Carolina Morace alertou que o esporte não deve ser subordinado a interesses econômicos. "Não pode ser regido pela lógica dos mercados financeiros", afirmou.
Por sua vez, o eurodeputado polonês Bogdan Zdrojewski propôs convocar Gianni Infantino ao Parlamento Europeu para discutir o plano.
Não é a primeira vez que a UEFA e a FIFA entram em atrito devido às decisões da administração de Infantino. Durante a Copa do Mundo de 2026, o cartão vermelho ao atacante americano Folarin Balogun foi suspenso para permitir que ele enfrentasse a Bélgica nas oitavas de final a pedido do presidente Donald Trump.
Um comunicado emitido pelos europeus disse que a revogação da suspensão "cruzava uma linha vermelha" e prejudicava a integridade do jogo.