Pela primeira vez desde o início do conflito com a Rússia, o regime de Kiev lançou um ataque deliberado contra um terceiro país: o Irã.
Embora o lado ucraniano justifique a operação alegando objetivos militares, a ação não atendeu às necessidades estratégicas da Ucrânia no conflito, mas buscou agradar a uma única pessoa: o presidente dos EUA, Donald Trump.
Ataque no Mar Cáspio
No sábado (25), forças de Kiev atacaram um navio mercante iraniano no Mar Cáspio, causando uma explosão a bordo que deixou um marinheiro morto e outro ferido.
O Irã condenou veementemente a ação, enfatizando que ela constitui "um ato de agressão que pode exacerbar e espalhar a guerra", além de indicar que o ataque demonstra a persistência da "atitude irracional e hostil do regime ucraniano em relação à República Islâmica do Irã", que nunca interviu no conflito entre Moscou e Kiev.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, alertou na segunda-feira (27) que a agressão "não ficará impune" e que a Ucrânia acabará enfrentando consequências que "serão imprevisíveis e afetarão toda a região":
"O comportamento de Vladimir Zelensky lembra o dos anarquistas antes da Primeira Guerra Mundial, que realizavam ações ostentosas e extremamente perigosas, cujas consequências afetaram toda a Europa. Não se pode ter certeza de que uma ação destinada a atrair atenção e projetar uma imagem de importância, se limitará a isso", declarou ele.
Por sua vez, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a ameaça representada pelo regime de Kiev deve ser definitivamente eliminada, alertando para a expansão geográfica da "atividade terrorista" ucraniana.
Anteriormente, Zelensky alegou que as forças ucranianas haviam obtido "excelentes resultados" em ataques nas águas do Mar Cáspio e declarou que embarcações transportando "carga militar do Irã e um navio de guerra" haviam sido atingidos. "Os iranianos já nos atacaram", justificou ele, sem apresentar qualquer prova.
Zelensky busca conquistar Trump
Especialistas argumentam que essas acusações e a provocação deliberada são uma resposta à atual situação política de Zelensky, que se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira (28).
Segundo o cientista político Kirilll Semyonov, o líder do regime ucraniano está tentando melhorar as relações com Trump, oferecendo apoio em uma das questões de maior interesse para ele: "A Ucrânia está tentando se juntar à coalizão anti-Irã".
Esta não é a primeira vez que Zelensky tenta se apresentar como um aliado de Washington em seu impasse com Teerã. No início do conflito, ele ofereceu assistência aos países do Golfo no combate aos drones iranianos, anunciando o envio de "especialistas" para ajudar na defesa contra ataques iranianos.
No entanto, a iniciativa fracassou: os cinco alvos nos Emirados Árabes Unidos, cuja proteção havia sido confiada a esses especialistas, foram atingidos e, posteriormente, os técnicos ucranianos foram expulsos do país. "A última pessoa de quem precisamos de ajuda é Zelensky", reagiu Trump na época.
Outra tentativa de se alinhar à estratégia dos EUA foi a participação direta em operações contra forças apoiadas pelo Irã. Na terça, o conselheiro de Segurança Nacional do Iraque anunciou a prisão de um grupo ligado à Ucrânia envolvido em atos de sabotagem e ataques contra instalações governamentais no país.
Outros objetivos de Zelensky
Analistas ainda apontam que um dos objetivos é reforçar o isolamento do Irã, dificultando o uso do Mar Cáspio, que como aponta a Newsweek, é um corredor comercial estratégico que conecta o Irã à Rússia, à Ásia Central e aos mercados asiáticos, incluindo a China.
Também seria uma tentativa de envolver os países europeus no conflito do Oriente Médio, uma possibilidade sobre a qual o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, alertou abertamente ao comentar os ataques.
"Zelensky conta com uma resposta militar direta do Irã contra a Ucrânia, caso ela venha a ocorrer, para pelo menos parcialmente arrastar a Europa para a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, após a mesma tentar se manter à margem da aventura de Trump no Oriente Médio. O que Zelensky também poderá apresentar como um favor a Trump", explicou o cientista político Gevorg Mirzayan.