O Congresso do Paraguai divulgou, nesta quarta-feira (29), uma declaração na qual acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "distorcer e minimizar" a dimensão histórica da Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai.
O documento afirma que as declarações do mandatário brasileiro desconsideram a complexidade do conflito, o sofrimento do povo paraguaio e as consequências demográficas, econômicas, institucionais e territoriais deixadas pela guerra.
Na declaração, os parlamentares reafirmam seu compromisso com a preservação da memória histórica nacional e sustenta que essa memória constitui parte da soberania e do patrimônio moral, histórico e cultural do país.
Devolução de ''troféus de guerra"
O texto também exorta a chancelaria paraguaia a realizar gestões diplomáticas para obter a restituição do Canhão Cristiano e de outros troféus de guerra pertencentes ao patrimônio histórico paraguaio.
O Canhão Cristiano, fundido no Paraguai em 1867 com bronze de sinos de igrejas para uso durante a Guerra da Tríplice Aliança, foi capturado pelo Exército brasileiro como troféu de guerra e atualmente integra o acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. A devolução da peça é reivindicada há anos por autoridades paraguaias.
No segmento final, os congressistas defendem que os fatos históricos sejam abordados "com sensibilidade, responsabilidade histórica e espírito de reconciliação, honrando a verdade, a memória das vítimas e os princípios do direito internacional contemporâneo".