
Após crise migratória em Ceuta, Itália suspende regime de livre circulação de Schengen com Espanha

O Ministério do Interior da Itália ordenou nesta sexta-feira (31) o fechamento das fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha em meio à crise migratória que atinge o país ibérico, informou a agência ANSA.
A decisão foi tomada após análises recentes, em particular no Comitê de Análise de Imigração e Segurança de Fronteiras, presidido pelo ministro Matteo Piantedosi.
Além disso, o ministro italiano manteve uma conversa por telefone com seu homólogo francês, Laurent Nuñez, durante a qual discutiram a possibilidade de reforçar os controles ao longo da fronteira terrestre entre os dois países, como parte de acordos bilaterais de cooperação assinados anteriormente.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, já havia mencionado na quinta-feira (30) a possibilidade de suspender o Acordo de Schengen com a Espanha, em resposta à emergência enfrentada pela cidade autônoma de Ceuta.
"As imagens que chegam de Ceuta são impressionantes e demonstram, mais uma vez, que a imigração ilegal fora de controle representa uma ameaça concreta à segurança das fronteiras europeias", afirmou Meloni nas redes sociais.
Crítica da antiga política migratória de acolhimento da União Europeia (UE), Meloni declarou que "a Itália não ficará de braços cruzados". Diante da situação em Ceuta, ela discutiu com o ministro Piantedosi as possíveis medidas a serem adotadas.
Entenda a crise
O Espaço Schengen é uma área de livre circulação que reúne 29 países: 25 da UE e todos os membros da Associação Europeia de Livre Comércio (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça).
Nos últimos dias, Ceuta, enclave espanhol ao norte do Marrocos, enfrenta uma crise migratória sem precedentes. O presidente de Ceuta estimou em "60 mil" o número de pessoas que, segundo seus cálculos, entraram irregularmente na cidade.
O governo da Espanha mobilizou o Exército, enquanto a cidade autônoma, com apenas 84 mil habitantes, enfrenta uma situação de colapso.
