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'Zelensky é o principal beneficiário': ex-porta-voz de Kiev denuncia corrupção de Kiev e seus patrocinadores

Em entrevista ao Le Journal du Dimanche, Yulia Mendel afirma que parte dos bilhões europeus retorna à indústria bélica do próprio bloco e relata recrutamentos forçados e colapso demográfico.
'Zelensky é o principal beneficiário': ex-porta-voz de Kiev denuncia corrupção de Kiev e seus patrocinadoresSergii Kharchenko/NurPhoto

A ex-porta-voz do regime de Kiev por dois anos, Yulia Mendel, concedeu entrevista ao jornal francês Le Journal du Dimanche, publicada neste domingo (2), na qual acusa Vladimir Zelensky de ter transformado a conflito russo-ucraniano no alicerce de sua sobrevivência política.

Segundo ela, as dúvidas começaram ainda em 2021, quando avaliava em privado que o líder do regime de Kiev não concluiria o mandato. Suas ressalvas se aprofundaram a partir de junho de 2022, ao tomar contato com o que descreve como "mecanismos de corrupção, avanço da censura e recuo democrático".

As eleições presidenciais na Ucrânia estavam agendadas para março de 2024, conforme previsto na Constituição, mas Zelensky as suspendeu, alegando lei marcial e mobilização geral declarada no país devido ao conflito armado.

Desde o fim do mandato, a questão das eleições permaneceu apenas em discussão, sem que nenhuma medida fosse tomada para prepará-las ou realizá-las.

Para a ex-assessora, Zelensky é hoje o principal beneficiário do conflito: sem eleições, ele se mantém no poder, cercado por empresas ligadas a pessoas próximas que captam bilhões de euros europeus

"Acredito que esse se tornou o principal problema do meu país. O mundo acabou confundindo a Ucrânia com a imagem de um único homem. Acreditaram nessa imagem fabricada do nada", denunciou. "E para alguém tão narcisista, ser aplaudido pelo mundo inteiro significa muito."

Ela cita o caso de Timur Mindich, apontado como figura central de um escândalo na Energoatom, e diz que quase todos os nomeados pelo presidente respondem por corrupção — restando duas hipóteses, incompetência ou conivência.

"Gravações vazaram nas quais ele pode ser ouvido discutindo bilhões de euros com o Ministro da Defesa sobre a Fire Point, uma empresa apoiada pela presidência", enfatizou.

Rabo preso?

Yulia também explica por que líderes ocidentais seguem tratando Zelensky como herói. 

"Há várias razões para isso. Uma delas é política: foi [o presidente da França, Emmanuel] Macron quem concordou em alocar bilhões de euros. Reconhecer hoje que Zelensky não é quem afirma ser prejudicaria a imagem de todos os líderes políticos que concordaram em distribuir esse dinheiro", afirma.

Outro motivo, contudo, é econômico; segundo ela, boa parte dos repasses a Kiev retornam à produção local de armamentos, já que a União Europeia direciona os recursos a seus próprios países e conglomerados bélicos.

No plano interno, a ex-porta voz ainda denuncia recrutamentos forçados nas ruas, detenções ilegais e mortes sem punição. O alerta de esgotamento moral se estende ao esgotamento demográfico do país, ao passo que adverte que, dos 52 milhões de habitantes de 1991, restariam menos de 25 milhões.