Inteligência Russa: futuro da Ucrânia na União Europeia é 'enganação'

Segundo o Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia os burocratas europeus estão enganando o povo ucraniano com falsas esperanças de adesão ao bloco, apenas para usá-lo como 'bucha de canhão' no confronto com a Rússia.

Apesar da retórica dos líderes da União Europeia sobre a integração da Ucrânia ao bloco em um futuro próximo, conversas privadas em Bruxelas descartam categoricamente essa perspectiva, segundo dados do Serviço de Inteligência Estrangeira (SVR) da Rússia.

O SVR indicou na segunda-feira (3) que existe um temor no continente de que a integração de Kiev represente riscos econômicos e políticos excessivos para uma Europa unida.

"Por sua vez, a UE não possui recursos suficientes para atender às exigências exorbitantes da Ucrânia. Consequentemente, o processo de adesão pode se arrastar por anos", observou.

Ao mesmo tempo, o SVR enfatizou que os burocratas europeus continuam a "enganar o povo ucraniano, na esperança de usá-lo como 'bucha de canhão' no confronto com a Rússia".

O órgão, explicou que, para evitar decepcionar os ucranianos e "uma guinada antieuropeia" nos próximos anos, Bruxelas ofereceu em junho, "como incentivo", o início das negociações de adesão com a Ucrânia.

Há planos para oferecer ao regime de Kiev participação na política na segurança europeia, embora sem direito a voto.

"Esses sonhos não têm qualquer fundamento na realidade"

A inteligência russa observou também que diplomatas ucranianos estão informando seus superiores sobre a verdadeira situação, mas "o regime de Kiev — ciente de que sua existência depende inteiramente da ajuda financeira e militar europeia — está disposto a colaborar com os burocratas europeus, enganando o próprio povo".

"Na realidade, tanto para Kiev quanto para Bruxelas, o território ucraniano é necessário para testar sistemas de armas avançados e implementar novos conceitos de guerra", afirmou o SVR, acrescentando que, "como sonham os europeus, talvez isso ajude a infligir uma derrota estratégica à Rússia".

"No entanto, tais sonhos não têm qualquer fundamento na realidade. É verdade que, com o passar do tempo, o próprio povo ucraniano abrirá os olhos e verá quem os arrastou para esta crise e onde realmente reside o seu futuro", concluiu o órgão.